A conversa começa a agradar-me. A um canto a finlandesa alta, que deve ser médica, faz uma endoscopia com a língua ao meu mano, mas ele não parece muito incomodado.
A cerveja conduz as minhas cordas vocais orquestrando uma verdadeira ode em sonetos, pelo menos assim me parece, e a Chaimite sorri de orelha a orelha.
Vamos daqui para fora, para minha casa. Obediente, sigo o mano e a sua nibelunga e insisto para paramos na barraca dos cachorros.
Que maravilha de cachorro! Se não fosse a quantidade industrial de estafermococos que andam a passear nestes ingredientes, até comia outro. Não como e seguimos viagem.
245 curvas depois. Estamos a tentar acertar com a chave na fechadura, digo entaramelado à nossa companhia e rio à gargalhada unissónica com o mano.
Estamos a demorar mais tempo a abrir o raio da porta que a chegar a casa, e penso que a cerveja afecta a coordenação mais que o sentido de orientação.
Quarto para mim, quarto para ti, finlandesa para mim, finlandesa para mim, já estou lindo já!
Às escuras a minha parece mais magra do que realmente é. Fico contente, mas também depois do primeiro beijo não interessa o calibre da peça mas a qualidade do disparo.
Acendo o rastilho e espero pela pancada. Corre tudo bem embora o nosso vocabulário tenha reduzido drasticamente.
7:07 da manhã. Não quero mais, já chega, digo com voz de sono. Já te disse que não quero! Finalmente abro os olhos e esfrego-os para me certificar que estou acordado perante o cenário dantesco que se apresenta no palco da minha ressaca.
Por momentos só me vem à cabeça o Anão de Velásquez, gordinho e com aquela barbita…
Tens preservativos, pergunta o anão. Aqui está ele nu, à minha frente, a pedir a bóia de salvação que eu não tenho para lhe atirar.
Respondo e vejo o mano a arrastar o corpo em direcção à porta.
Tento juntar as peças do puzzle e percebo que ele não irá ter mais sorte essa noite.