segunda-feira, 11 de julho de 2005

Carnaval em Terceleiros


Este panegírico da realidade alternativa fez um aninho no passado sábado e eu faço hoje - e não é novidade nenhuma - 29.
Resultado, é o meu Carnaval, três dias de festa, porque ontem os meus sobrinhos pequenitos chegaram de França, aqueles destruidores, semeadores de pânico e caos, os meus Loki's de estimação.
Estou então muito, mas muito feliz!
Nunca cheguei a pensar que o blog chegasse a um ano. Sou pouco disciplinado, mas descobri que o vício da escrita me consegue organizar as ideias e disciplinar o que ao princípio parecia indisciplinável.
Quero então agradecer a todos os meus leitores o apoio, sem vocês eu não era nada, e um abraço especial para esse grande amigo e apoiante incondicional o Quiosk.

29 anos… não me sinto mais velho, mas é sempre a mesma coisa. É um dia como outro qualquer, que só serve para fazermos um balanço do que temos feito, e eu de tanto balançar já estou a ficar tonto!
Não me apetece fazer nada disso, o que me apetece é pegar nos amigos e beber umas cervejas!
Bute lá apanhar uma farda do tamanho do mundo!!!
E se eu fosse beber uma cerveja com o Terceleiros?!

sexta-feira, 8 de julho de 2005

Sinapses e sinopses


Trocamos as sinapses por sinopses e ficou assim!

Não resisto a isto! Tenho que escrever!!!
Sinapse: Região de contacto de dois neurónios ou células nervosas, através da qual passam os impulsos nervosos.

Sinopse: Síntese, resumo, resenha, sumário e mais alguns palavrões esquisitos.

Há pessoas que deviam trocar as sinapses por sinopses; outras deviam trocar as sinopses por sinapses.

O Fidel Castro devia trocar as suas sinapses por sinopses, talvez assim os seus discursos demorassem menos tempo!

Alguns livros deviam trocar as sinopses por sinapses, talvez assim se tornassem mais interessantes.

Quem teve a ideia peregrina de traduzir isto para holandês???

quinta-feira, 7 de julho de 2005

Cinzas

S. Tomé de Covelas - Douro

Um amigo do coração e da alma levou-me, à cerca de um mês, a visitar este sítio fantástico. Fiquei apaixonado e com o convite de lá voltar fiquei-me pela intenção.
Para grande pena minha, ontem, a margem esquerda ardeu e todo o verde que se vê foi sustituído pelo preto da cinza.

Por favor tenham atenção com as atitudes passíveis de provocar incêndios ou então vamos lembrar-nos destes paraísos só pelas fotografias.

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Ovos


E embalagens de três?! Estes são esquisitos...

Alguém me explica porque raio é que vendem os ovos em caixas de seis?!
Será que é uma estratégia de marketing dos galináceos para vender mais? Tudo bem que ninguém compra um ovo, mas se eu quisesse comprar só um ovo como seria? Não me venham dizer que as galinhas põem seis ovos de cada vez que eu não acredito. Já para pôr um vêem-se aflitas!

Justifiquem-se com “ninguém no seu perfeito juízo compra só um ovo” mas eu quero comprar só um. Prezo muito a unidade e acho que é um desrespeito para com esta quantidade venderem os ovos em caixas de seis.

Nos restaurantes, quando pedimos um bife com um ovo a cavalo, vem só um ovo. Tenho a certeza que as embalagens de um só ovo estão a ser sugadas pelos restaurantes. É mais fácil de armazenar e assim os outros cinco não se estragam, ou já apanharam algum ovo choco num restaurante?! Mas em casa já, tenho quase a certeza absoluta!
Expliquem-me lá porque não há embalagens de um só ovo!

terça-feira, 5 de julho de 2005

5 de Julho de 1975


Este já não é o meu super herói!

Quando era miúdo, lia e relia todos os livros do Capitão América, Homem Aranha, X-Men e muitos mais. Eram os meus super heróis e tu bem os sabias. Fui crescendo e conheci outros, o Pai, a Mãe, o Mestre e… Tu.

Foste sempre um exemplo, uma referência, ouvia a música que ouvias, lia o que lias, ria-me do que rias e ficava sentido por não te rires do que eu dizia como eu me ria do que tu dizias – quanto a isso sempre foste um pedante disfarçado, com uma vontade de rir mas afinal para que servem os irmãos mais velhos?!

Ainda hoje ages da mesma forma, se bem que de vez em quando lá te escape a gargalhada, a diferença é que já te fiz a folha.

Gostava das histórias que me contavas, da tua vida académica em Coimbra, das conversas que tínhamos – não me lembro bem sobre quê - gostava de te ter perto de mim.

Não gostava que evitasses chegar junto comigo à escola, nem que me ignorasses quando estavas com os teus amigos, mas no fundo sabia que tinhas orgulho em mim como eu tinha e tenho em ti.
Já mais velhos descobrimos a cumplicidade que diverte toda a gente. É bom fazer equipa contigo, só é pena que não seja mais frequente.

Tu e o resto dos manos preencheram muitas horas da minha vida, tornando a minha infância em algo invejável, mas tu, sabes bem que foste e serás sempre um super herói!

Parabéns!

P.S. 1 - Hoje estive no Café do Cais, lembras-te?
P.S. 2 - Obrigado pela contribuição para aquilo em que me tornei hoje.

segunda-feira, 4 de julho de 2005

Despedida de Solteiro


Só queria que a minha fosse assim...

Meus amigos: faltam poucos dias para esta espécie de sanatório festejar o seu primeiro aniversário. De facto a 9 de Julho de 2004 apareceu pela primeira vez alguma coisa escrita na World Wide Web. Tomei-lhe o gosto e deu nisto.
Daqui a 5 dias tragam as sardinhas e o vinho e umas febras para mim, que não gosto de sardinhas, e fazemos cá a festa!
Mas não era isto que queria postar.

Este fim-de-semana estive numa despedida de solteiro de um dos amigos que se agarrou ao meu coração e não quer mais largar, o raio da lapa. Se estiveres a ler isto, que vais ler de certeza, sabe que estás cá e não te vou deixar sair.

O que é certo é que não alinhamos naquelas mariquices, ou deverei dizer machistices, de ir jantar e depois ir todos para um bar de strip ou mesmo um bordel. Como achámos que essas coisas só fazem sentido para quem tem uma vida sexual de MERDA, e como estamos bem satisfeitos com a nossa libido, optamos por uma coisa mais à gajo.
Pegámos em nós e bora lá dar uns tirinhos com bolinhas de tinta. Brincar aos cáubois com armas mais ou menos a sério.

É claro que aquilo foi tudo menos justo. 11 marmelos contra 2 e vimo-nos desgraçados para ganhar, e depois ficamos todos contentes por os termos morto. 11 contra 2, acham isto normal?!
Depois de tombos e mais tombos, pisadelas que parecem chupões, e braços cortados, chouriço assado e bons alvarinhos, ainda não estamos cansados de ser miúdos.
Esta cena dos tiros parecerem chupões dão muito jeito. Quando quiserem ir para a rambóia digam que vão jogar paintball eheheheheh!

“Bora lá para a Maia e jogamos um Indoorzito”. Uma hora foi o suficiente para ficarmos todos com os bofes de fora. Para além dos hematomas que angariáramos no Paintball, toca a juntar umas cacetadas – desculpa lá ò Berto, foi mesmo sem querer – e umas quedas aparatosas (para descansar os pulmões).

Francesinha ao jantar é de homem, e muita cerveja também. Uns croft’s, mais umas cervejas, e mais uns croft’s e quando damos por ela estamos todos bêbados. E vimos para casa a braços.
As melhores são no S. Nicolau e no Encontro

Moral da história: Eu não sirvo para esta vida saudável; estive 22 horas a recuperar (a dormir); ficámos todos pisados e doridos; ainda bem que o casamento é daqui a duas semanas, senão para reconhecer os convidados do noivo era muito fácil, eram os que tinham escoriações.

Amigo noivo, quase casado: és e serás sempre aquele amigo especial que vai ouvir todas as coisas da minha boca e falar de tudo aos meus ouvidos. Não posso esquecer tudo o que já passámos juntos e não posso prever aquilo que vamos passar no futuro, mas uma coisa é certa, vamos ser como os velhotes dos marretas.

Abraço

P.S. Não te enuncies por favor .

sexta-feira, 1 de julho de 2005

Haxixe V


Olha a capa italiana...

Acerca do “Velho da montanha” Hugo Pratt põe na boca de Corto Maltese:

«Mais a Sul, mas montanhas, vivia há muito tempo um povo sarraceno, os Hashãshins, na sua língua, “os segnors de montagna” na dos latinos. Esse povo vivia sem lei.
Alimentava-se carne de porco, apesar do Corão, e abusava de todas as suas mulheres sem distinções, incluindo as suas mães e irmãs.

Nessas montanhas, entrincheirados nos seus castelos fortificados, eram inexpugnáveis. O seu chefe inspirava grande receio quer nos príncipes sarracenos seus vizinhos quer ao aos mais distantes, assim como aos senhores cristãos das fronteiras.
Tudo isso porque os liquidava de um modo bastante original…

Esse chefe, de nome Aladino, possuía, encerrado entre duas montanhas, um vale chamado Alamuth, e tinha-o transformado num maravilhoso jardim com magníficos palácios, fontes de vinho, leite e mel. Aí lindas mulheres tocavam música, dançavam e cultivavam todas as artes do amor…»
_ _

Alamuth
.
Continua
Drogas anteriores:

quinta-feira, 30 de junho de 2005

Viva a Medicina


A minha mãezinha bem me dizia "Vai para medicina"

Estava eu, por acaso, num hospital particular do Porto, quando se me deparou uma situação digna de nota.

Para vos enquadrar, tenho a dizer-vos que é uma das instituições mais ricas da cidade, e não vos vou dizer o nome (começa por “Venerável” e acaba em “Francisco” e no meio tem “Ordem” e “Terceira”) já que posso ferir algumas sensibilidades.

Esta instituição tem um parque de estacionamento que alberga cerca de 15 automóveis, 8 dos quais com um preço acima dos €75 000. Ele é Maseratti’s, Porsche’s, Jaguar’s, Mercedes topo de gama… vou-vos descansar e dizer-vos que não são da instituição mas dos médicos que lá prestam serviço – entram às 15:30 saem às 16:00 e embolsam €2 000. Nada mau.

Ora estes senhores doutores (vénias) que devem trabalhar em muitos hospitais, não sabem uma das regras básicas de comportamento junto a estas instituições. Acho eu, e elucidem-me se estiver errado, que não se pode buzinar junto a hospitais.

Estes senhores doutores (vénia e beijo no anel de curso) quando chegam ao portão da referida instituição, para não desalaparem o rabiosque do estofo de couro do seu bólide caríssimo, buzinam para o segurança ou o porteiro carregar no botão para lhes abrir o portão, incomodando os pacientes, na sua maior parte idosos, que recuperam da operação que o senhor doutor (vénia, beijo no anel de curso e “o senhor é um santo”) efectuou ela módica quantia de €2 000.

Senhor doutor (repreensão severa, chuto na porta do Maseratti e pazada de terra para dentro do carro) esfregue os olhos, para tirar os cifrões, e ponha os pés na terra da humildade e do bom senso.


Pazada de terra lá para dentro!

segunda-feira, 27 de junho de 2005

Al Gharb


Praia da Rocha - Portimão

Nada melhor para carregar as pilhas que um fim de semana no Algarve com os amigos.
É sempre bom fazer 600 quilómetros para passar lá três dias a descansar para nos cansarmos outra vez com mais 600 quilómetros no corpo!

O primeiro dia é para descansar da viagem, o segundo para apanhar sol, o terceiro para preparar a viagem para cima e segunda feira de volta ao inferno, mas já com a cabeça vazia.

E para quem não sabe, Algarve vem do árabe "Al Gharb", que significa "O Ocidente", nome dado pelos árabes quando conquistaram a Península Ibérica em 711 d. C.

terça-feira, 21 de junho de 2005

Insurgimentos



Tiago Monteiro Allez, Tiago Monteiro Allez...


Já estou a ver que ninguém passa cartão ao meu outro blog, por isso la vai ter que ser, vou massacrar-vos a cabeça neste.
Não faço a mínima ideia sobre o que vou escrever, mas aproveito para me insurgir contra duas coisas que aconteceram neste fim-de-semana.

Insurgimento 1: não me conformo com a cobardia das sete equipas que desistiram este fim-de-semana no grande prémio dos Estados Unidos. Já sabiam à partida que iam levar na tromba do nosso menino – Tiago Monteiro – que ficou em terceiro lugar – para além de elevar o recorde de finalização de grandes prémios como rookie para 9 (o anterior recorde era de Niki Lauda com 7 GP’s).

Ah Ganda Tiago!

Insurgimento 2: não me conformo que a quinta das celebridades tenha acabado! Como é que eu vou atazanar a cabeça à minha mãezinha a partir de agora, com que programas?
Vamos voltar à oligarquia das telenovelas?!

A minha vida perdeu todo o sentido! Vou-me suicidar com uma colher!

sexta-feira, 17 de junho de 2005

Geração de 70

“Por fim tu ó árbitro da contenda. Sem dúvida que gostas muito deles e pretendes deitar água na fervura… Mas se agisses de outra forma, serias mais eficaz.
Sem dúvida que és inteligente e conseguirias dobrar os argumentos de qualquer um dos dois, no entanto ages com modéstia, falsa diria eu, e acho que não me enganaria se o afirmasse. No entanto, apesar do que sabes, preferes guardá-lo para quando tens a certeza e não caíres no ridículo a que eles naturalmente se sujeitam.”
“Quatro traçados para esta mesa” interrompeu Mercúrio que já via o sangue prestes a esparrinhar-se na parede.
Teófilo Braga

“Para quem me caracteriza assim merecias comer do teu próprio veneno. Com esta entrada em cena, carimbaste o teu passaporte para o mesmo destino que é o meu. Impressionas com o teu discurso, mas acho que a observação que fazes é superficial, por isso deixa-te estar, bebe um copo e radiografa-nos de outra forma.”

“Seja, pelo menos já tenho direito a um traçado à vossa conta.”

“Eu sou o Mercúrio, ele é o Tântalo e o Mr. Arrogância é o Narciso.”
“Vocês armam muito ao pingarelho! É claro que esses não são os vossos verdadeiros nomes, e se é para brincar… eu sou a Jocasta, como não tenho idade para ser vossa mãe, não corro o risco de nenhum de vocês se atirar a mim.” Riu-se da piada e foi seguida pelos três companheiros.
Bem... Voltando à auto-promoção... Aqui vai mais umas das pérolas pseudo literárias que este porco intelectual debita no OUTRO BLOG.

quinta-feira, 16 de junho de 2005

terça-feira, 14 de junho de 2005

Chavões


Fonte: Teresa Santos

"É por isso que este país não anda para a frente"


Fonte: Alberto M

"A culpa disto tudo é dos políticos"



Fonte: João Leonel Pires Costa

"Eles são brancos que se entendam"

segunda-feira, 13 de junho de 2005

Geração de 70

Pois é, a autopromoção é uma cois muito feia, mas vejam a reinvenção da Geração de 70 no meu outro blog.
Vão ver que não se vão arrepender!



O Casino Lisbonense, em Lisboa. Nele tiveram lugar, em 1871, as Conferências do Casino, organizadas pelo grupo da Geração de 70.

quinta-feira, 9 de junho de 2005

Veneza



A Ponte dos Suspiros.
Quando estive em Itália há uns dez anos atrás, fiquei impressionado com a beleza desta ponte.

Mais impressionado fiquei, ao constatar a utilidade de tão fermosa construção.
Era nada mais nada menos que o acesso do Palácio dos Doges para as masmorras. Um corredor estreito faz a passagem e não me admiro que os prisioneiros suspirassem...

Que beleza e que saudades!

quarta-feira, 8 de junho de 2005

O que diz o Povo






"Não somos nada nesta vida, nada..."

É para verem o que eu sofro todos os dias... Já não basta andar a encontrar ossos, ainda tenho gente a debitar pérolas destas!!!

Ajudem-me!

terça-feira, 7 de junho de 2005

Cacofonias

Tem piada pensar em algumas palavras ou expressões anglófonas e discernir o seu verdadeiro significado, senão vejam.

Cock Robin - Banda dos anos 80.

Desmultiplicação
– Cock= Piroca
- Robin= espécie de Tentilhão

Tradução: a piroca do tentilhão.

Cock Robin, que raio de nome!

Acho que é um tentilhão...




Winnie the Pooh: Urso querido que tem uns amigos muito esquisitos (já viram bem o burro?!)

Desmultiplicação
- Winnie – penso que não é assim que se escreve, mas que soa a pilinha…
- pooh: é o que as crianças dizem quando querem fazer necessidades sólidas “i wanna pooh”.

Tradução: Pilinha o cocó de bebé.

Quem diria que esta carinha escondia o terrível segredo.


Alfred Hitchcock: The Master of Suspense, dispensa apresentações.

Desmultiplicação
- Alfred = Alfredo
- Hitch = comichão (já sei que não é assim que se escreve)
- cock = já sabemos que é piroca.

Tradução: Alfredo comichão na piroca.


"Também tu tens comichão!"


Bangkok: Capital da Tailândia (não se comecem a rir já).

Desmultiplicação: Bang = onomatopeia de tiro; queca.
Kok: é muito paraecido com piroca ou é impressão minha?!

Tradução: queca com a piroca.


Desculpem mas isto é o resultado de muitas horas ao sol.


É dos melhores sítios para Bangkok.

sexta-feira, 3 de junho de 2005

Gralhas



Surfista - Protágoras: morreu afogado coitado, devia ser do vinho.

Sofista: Não me parece que seja necessária muita filosofia para fazer isto!





Surfista: aquele que, fazendo uso de raciocínios capciosos, busca, por um lado, enfraquecer e ofuscar o verdadeiro e, por outro, reforçar o falso, revestindo-o das aparências do verdadeiro.

Sofista: Tipo que se mete em cima de uma prancha de surf e cavalga as ondas tentando aproveitar a força destas para executar acrobacias.

Gralhas



Estilista



Estilita


S. Simeão o Estilista, foi apelidado de “o Louco”, e não há dúvida que era um bocadinho.
Entrou na cidade de Emesa a arrastar um cão morto que vinha agarrado ao cinto, e no domingo seguinte entrou na igreja e começou a atirar nozes às velas apagando-as todas.
Para além disto sentou-se em cima de uma coluna um “ror” de tempo e as pessoas davam-lhe comida para ele rezar por elas.
Não era muito bem acabado.
Gianni Versace -1946-97 Estilita de sucesso. Foi assassinado à porta da sua casa em Miami Beach por um serial killer em fuga.
Olha que azar, com tanta gente para se cruzar teve logo que tropeçar num assassino de massas!

quinta-feira, 2 de junho de 2005

Ribeirinha 2:43 da manhã

A conversa começa a agradar-me. A um canto a finlandesa alta, que deve ser médica, faz uma endoscopia com a língua ao meu mano, mas ele não parece muito incomodado.

A cerveja conduz as minhas cordas vocais orquestrando uma verdadeira ode em sonetos, pelo menos assim me parece, e a Chaimite sorri de orelha a orelha.

Vamos daqui para fora, para minha casa. Obediente, sigo o mano e a sua nibelunga e insisto para paramos na barraca dos cachorros.

Que maravilha de cachorro! Se não fosse a quantidade industrial de estafermococos que andam a passear nestes ingredientes, até comia outro. Não como e seguimos viagem.

245 curvas depois. Estamos a tentar acertar com a chave na fechadura, digo entaramelado à nossa companhia e rio à gargalhada unissónica com o mano.

Estamos a demorar mais tempo a abrir o raio da porta que a chegar a casa, e penso que a cerveja afecta a coordenação mais que o sentido de orientação.

Quarto para mim, quarto para ti, finlandesa para mim, finlandesa para mim, já estou lindo já!

Às escuras a minha parece mais magra do que realmente é. Fico contente, mas também depois do primeiro beijo não interessa o calibre da peça mas a qualidade do disparo.
Acendo o rastilho e espero pela pancada. Corre tudo bem embora o nosso vocabulário tenha reduzido drasticamente.

7:07 da manhã. Não quero mais, já chega, digo com voz de sono. Já te disse que não quero! Finalmente abro os olhos e esfrego-os para me certificar que estou acordado perante o cenário dantesco que se apresenta no palco da minha ressaca.

Por momentos só me vem à cabeça o Anão de Velásquez, gordinho e com aquela barbita…
Tens preservativos, pergunta o anão. Aqui está ele nu, à minha frente, a pedir a bóia de salvação que eu não tenho para lhe atirar.

Respondo e vejo o mano a arrastar o corpo em direcção à porta.
Tento juntar as peças do puzzle e percebo que ele não irá ter mais sorte essa noite.

quarta-feira, 1 de junho de 2005

23:59 no Está-se Bem

Não há dúvida nenhuma que existe uma certa empatia entre mim e a Chaimite. Gosto mais delas esculturais, mas há algo em mim que em impele em direcção ao seu decote. Não é nada feia e começam-me a dar uns calores.

É sempre assim quando bebo umas cervejas. A minha libido pega nas rédeas e invariavelmente acabo num estábulo que não reconheço, agarrado a uma égua qualquer.
Mas deixemos fluir a cerveja.

O mano está muito entretido a conversar com a mais alta das duas e eu só consigo pensar que não me apetecia muito demorar muito mais tempo fechado neste sítio.
Vamos para o Ribeirinha. É já ali em cima. É um tasco do melhor, aliás uma leprosaria, a carne é de muita má qualidade.

Karaoke, karaoke , já estou farto de cantar. Cerveja e recomeço a sedução aos peitos da finlandesa. Desculpa lá mas só consigo ver isso à frente, UM ENORME PAR DE olhos azuis. São lindos. Mas há mais coisas para onde olhar…

Continua…

terça-feira, 31 de maio de 2005

17:05 numa qualquer esplanada da Ribeira

Eu e o meu mano estamos sentados a saborear a nossa cervejinha pós trabalho.Segundo os ensinamentos do já falecido e saudoso Carlos Alberto Ferreira de Almeida, portentoso historiador de arte, com algumas (muitas) incursões na arqueologia, bebo com gosto lembrando-me de uma máxima sua "Todo o que mexe em terra tem sede".
Um dia inteiro a mexer em cacaria velha e ossadas tem que ser afogado com a respectiva loira... E por falar em loiras, aí vem elas.
Pisco o olho ao mano, com cumplicidade, que segue as duas com o olhar de felino (gato siamês) pronto a atacar.
Não passam cinco minutos para já estarmos em amena cavaqueira com as duas finlandesas. Altas, como se prezam as nórdicas, uma delas com um ligeiro ar de chaimite. Chaimite pois! Tanque de guerra tem lagartas, o chaimite tem pneus, por isso assim seja.
Desapontamo-nos com a falta de cultura das duas, afinal os nórdicos deviam conhecer a sua mitologia. Thor, Loki, Odin, Asgard, népias, não conhecem nada.Com certeza que não será a incapacidade intelectual que vai inviabilizar uma jantarada e quiçá algo mais.
Vamos lá mostrar o Porto Undergound a estas chicas ò mano. Uma tasca com pataniscas de bacalhau e arroz de feijão, e como hoje é terça-feira, vamos é ao Melo.
Jantados tradicionalmente, com o cheiro a fritos na roupa, com receita no bucho e elogios das nossas convidadas à mistura, vamos lá continuar o nosso roteiro tascoso e típico do Porto.
Está-se Bem. Baptismo de fogo com traçadinhos e Super Bock. A dose repete-se infinitamente e começo a ver os pares já criados.
Foto por Ana Mota (gira e muito simpática)
A que me calha na rifa parece-me bem boa, será do que já bebi? Afinal com uma garrafa de vinho qualquer uma me parece uma top model.

Continua...

segunda-feira, 30 de maio de 2005

Vitória, vitória, acabou-se a história!



Quem escorrega também cai!

Lembram-se desta?!

"Ninguém para o Benfica, ninguém para o Benfica, olé olé."

Segunda-Feira



Sem Comentários!

sábado, 28 de maio de 2005

Escapadela mental

Rafting no rio Mouro em Melgaço... Que delícia!!!




Mas que raio é que está a fazer à frente de um computador com um tempo destes?!
Vai lá para fora, senta-te numa esplanada com uma companhia interessante e bebe umas cervejas.
Pede um café e uns tremoços, pede o impossíve,l porque nada deve sê-lo enquanto tivermos vontade para remar contra a maré.
Sai de casa e conduz sem rumo nem destino, até que te sintas num sítio que te preencha os sentidos e te liberte do marasmo.
Enfim, não fiques agarrado ao computador, para isso há cinco dias da semana!

quarta-feira, 25 de maio de 2005

terça-feira, 24 de maio de 2005

Futebolada

Nunca fui muito futeboleiro, aliás o meu conhecimento sobre este tipo de desporto só veio ao de cima quando percebi que tinha necessidade de perceber o mínimo para poder “dominar” uma conversa de forma a conduzi-la para temas em que eu desse cartas.

Só por volta dos 18-20 anos é que consegui entender o que era um fora d jogo e ainda hoje tenho as minhas dúvidas.

É claro que sou adepto confesso e fiel do Futebol Clube do Porto e que adoro ver as equipas conduzidas pelo melhor treinador do mundo José Mourinho.

Como desporto entusiasma-me, entristece-me, deixa-me possesso, mas parafraseando o chavão, que vastas vezes ouço ser proferido “não me dá de comer”.

Sinto-me ás vezes, escudado no meu olhar crítico, como um estudioso do fenómeno, ainda antes de me considerar apreciador e tenho recolhido algumas informações interessantes.
  • Já repararam que a noção de distâncias dos comentadores de futebol é uma desarticulação de todo o tamanho?
  • Quantas vezes já ouvimos nos comentários “O jogador x falhou a baliza por centímetros”. Vemos a repetição e o “esférico” passa a mais de dois metros das redes. Quantos centímetros?! Muitos.
  • A expressão “remate à figura” também me suscita dúvidas. Geralmente a bola nem sequer bate no guarda-redes ou qualquer jogador, indo antes bater no público que se encontra nas bancadas.
    É a chamada frase incompleta, realmente é à figura mas do sr. José Santos, adepto dos Unidos da Buraca, que mora no 1º esquerdo do nº 162 da rua dos Cravadores, Damaia, que tem 5 filhos, dois rapazes e três raparigas, excelente técnica no levantamento do copo de vinho tinto.

segunda-feira, 23 de maio de 2005

Projecto Manta de Retalhos

Retalho anterior:

http://quioske.blogspot.com/2005/05/projecto-manta-de-retalhos.html

Oito da manhã. O despertador já tocou umas doze vezes. Não é novidade nenhuma que estou atrasado outra vez.


A minha consciência dá-me um coice de responsabilidade e sinto-me mal. Corro para a casa de banho e com a água a queimar a ressaca, revejo mentalmente os tópicos para a reunião que tenho daqui a 45 minutos.


Passo apressado pelo quarto e olho para a cama. O engate da noite foi fortuito, e começo a ver o lado positivo de estar atrasado. Não estou com paciência para explicações e beijos do dia seguinte.


Deixo-lhe um bilhete, sem o número de telefone, o máximo que pode acontecer é ela bater-me à porta um dia destes.


Chaves do carro, tabaco, telemóvel, moleskine, está completa a minha tetralogia pessoal.

Próximo Retalho:

http://oregresso.blogspot.com/2005/05/projecto-manta-de-retalhos.html

sexta-feira, 20 de maio de 2005

Policiário IV

"Mas que raio é isto?"

90803020204030804081
40902030806060306060
80609000008070600060
40007000003000700020
40000000005000500070
60000000000000200000
00000000000000700000
00000000000000400000
00000000000000600000
00000000000000700000

2040205030108080702091
4060706060002040206020
3000004030005030203040
2000006000003000500080
5000000000000000200000
0000000000000000400000
0000000000000000300000

Se o encontro com o desconhecido lhe parecera estranho o que dizer disto?
Pediu uma cerveja e estudou o código com mais atenção. Havia claramente um padrão.
Fosse o que fosse que estivesse codificado era claro que os dados estavam organizados por colunas, os zeros aparentemente eram para despistar.
Cada linha acabava com o número 1, que só tinha incidência mais uma vez no segundo bloco, linha I. Qualquer tipo de pontuação, separação, seria um código alfa numérico?!
A cerveja acabara e as dúvidas continuavam. se calhar era melhor procurar um computador com ligação à internet para veficar a URL que estava na carta.

E por falar em frangos...

Simplesmente fantástico!!!
No seguimento do post sobre a final da Taça UEFA(Sporting 1 3 CSKA), vejam só que se é capaz de fazer com um bocadinho de imaginação!

Vídeo

quinta-feira, 19 de maio de 2005

CSKA

terceleirada

Procura-se campeão

É certo e sabido que o campeonato nacional foi muito atípico. O Sporting sempre com altos e baixos, jogos magníficos seguidos de derrotas imcompreensíveis; o FCP vendeu os jogadores todos e comprou outros que não rendem nem em frente ao Jornal de Notícias.

Já o Benfica... Ah o Benfica, sempre regular, vai ser campeão quase de certeza no próximo fim de semana. De facto a reguraridade do SLB vai fazer com que se sagre campeão, porque efectivamente jogou o campeonato todo com uma qualidade de futebol muito baixa.

Viva a regularidade!

Sporting 1 - 3 CSKA

A imprensa já deve estar careca de dizer que o futebol português está pelas ruas da amargura, que não tem qualidade, que não se pode comparar aos “futebóis” dos campeonatos europeus.

Se bem me lembro, em 2003, o F.C. Porto ganhou a taça UEFA; em 2004 o mesmo FCP ganhou a Liga dos Campeões e a Taça Intercontinental; é também neste ano que Portugal vai à Final do Euro 2004, só perdendo com uma Grécia que pratica um futebol de bradar aos céus (marcam um golo e barricam-se na defesa com trincheiras e tudo!).

Este ano (2005) o Sporting esteve na Final da Taça UEFA, reparam ou fui só eu? O futebol português está mesmo mal, e se assim é nem quero imaginar as outras competições.

p.s. Para breve, muito breve, uma análise ao fenómeno do futebol.

Sporting 1 - 3 CSKA

  • Ao minuto 56 Ricardo, esse grande guarda-redes abriu a porta ao galinheiro e lá começou a deixar entrar os frangos. Como é possível?! Tirem o gajo da baliza e ponham lá um bidão, pelo menos fazia melhor figura. Só façam isto nas competições europeias, porque nas internas até nos dá jeito.
  • Os comentadores, ah os comentadores… A certa altura, durante o jogo, um deles, que não esse senhor que é Rui Tovar – esse sim percebe de futebol e de língua portuguesa – sai-se com esta pérola “Wagner Love tem um falhanço clamoroso!”. Disto isto só me apetece parafrasear o falecido Jorge Perestrelo “kéké isto?”
    O que raio é um falhanço clamoroso? Esfreguei os olhos e os ouvidos e fui ao dicionário da língua portuguesa da Porto Editora ver.
    Clamoroso, adj. Em que há clamor, ruidoso. É claro que também tive que ver clamor para não haver dúvidas.
    Clamor, s.m. brado, queixa, protesto ou reclamação.
    Acho que não vou continuar com isto, não faz sentido, retirem as vossas próprias ilações.
    Pior! Passados uns minutos, no segundo golo do CSKA, o mesmo comentador diz que há uma cratera na defesa do Sporting! Palavras para quê?
    Chamem a Edite Estrela por favor!

Sporting 1 - 3 CSKA

  • O Sporting falhou ontem a oportunidade de se tornar a segunda equipa portuguesa a ganhar a Taça UEFA. Recordemo-nos que a única foi ganha pelo F.C. Porto em 2003.
  • O clube russo, que tem o dedo do milionário Roman Abramovich (que é dono do Chelsea), acabou com as esperanças do Sporting de ganhar qualquer coisita esta época.
  • O treinador do CSKA, Valery Gazzaev, tinha prometido que se passasse à final desta competição cortaria o seu característico bigode à Artur Jorge. Ora quem viu o jogo ontem reparou que a bigodaça ainda lá estava. Como é, já não se cumprem promessas!? Só por esta afronta deviam tirar-lhes a taça!

quarta-feira, 18 de maio de 2005

Policiário III

Dois dias antes. Porto, repartição das Finanças da Boavista. 11.15 da manhã.


“Senhor Funcionário?” perguntou um moreno alto com sobretudo negro e óculos escuros de massa. Aparenta 30 anos e fala com uma voz limpa e pausada.

“Sim.”

“É mesmo consigo que quero falar. Leia o conteúdo deste envelope e siga as instruções à letra. Bom dia” e virou costas saindo com postura de agente secreto.

Estupefacto o Funcionário olhou à volta e sentiu-se estranhamente aliviado por não estar ninguém perto para ouvir a conversa, mas receio de quê, certamente o homem era louco.

No entanto havia algo dentro de si que lhe mandava calar a boca e ser discreto. Foi ter com o chefe de secção e pediu-lhe par ir almoçar mais cedo.

Foi-se sentar num café abriu o envelope e ficou ainda mais estupefacto. O desconhecido tinha-lhe dito para seguir as instruções à letra, mas a mensagem continha uma espécie de cifra e um endereço de Internet.
“Só com números como quer este gajo que leve as instruções à letra?”

Policiário II

Curioso, abriu o pacote e pensou em todos os filmes e livros que tinha lido e que se assemelhavam a esta situação.

Sentiu-se como Ted Mundy e pensou onde estava Jonh Le Carré quando se precisava dele. “Gostava de ter o número de telefone dele, assim perguntava-lhe o que devia fazer nesta situação” pensou.

Mas afinal o que raio é que faz um simples funcionário das finanças entregue à bicharada, num hotel que fica numa terra, que ele só conhecia dos livros de história por cauda da famosa janela?

Policiário

Eram duas e trinta e cinco, quando um homem aparentando trinta anos, entrou no Hotel dos Templários em Tomar.
Dirigiu-se à recepção e depois de algumas palavras trocadas em inglês, pegou num pacote e na chave do quarto e dirigiu-se ao elevador. Dois minutos depois encontrava-se no quarto e vieram trazer-lhe uma garrafa de Martini.

Do seu quarto, que estava localizado numa das esquinas do hotel, tinha uma vista para a vila e para o castelo. Puxou uma das poltronas para a janela e serviu-se de meio copo. Olhou para o telemóvel mas este não correspondeu à expectativa.
Afinal que raio é que estava a fazer ali, pensou. É claro que não era todos os dias que uma desconhecida lhe ligava a propor uma coisa daquelas mas também não era todos os dias que ele se prestava ao que estava prestes a fazer.
Bebeu mais meio martini e tirou um cigarro. O telemóvel tocou e ele foi abrir a porta depois de atender.

À porta estava uma loira nórdica, que vestida de uma forma muito relaxada lhe perguntou num inglês perfeito, em forma de confirmação, o seu nome. Ele tentou mandar uma piada mas o humor nunca tinha sido o seu forte.
Cinco minutos depois a misteriosa rapariga saiu do hotel e ele estupefacto continuou agarrado à sua garrafa e ao tabaco.

Precisam-se: Mulheres saudáveis para comitiva

Reza a lenda que os exércitos levavam atrás de si enormes comitivas.

Para além dos normais cozinheiros, armeiros, carpinteiros, pagens, havia a necessidade de satisfazer outras necessidades prementes da soldadesca.

A moral das tropas tinha que ser naturalmente elevada e quem melhor para fazer isso do que mulheres!?

Ora sabe-se através da documentação relativa a inúmeras batalhas, que existia uma enorme proliferação de mulheres da vida a acompanhar a mole humana pronta a guerrear, por isso desengane-se quem pensa que a guerra era uma coisa exclusiva do sexo masculino.

"Por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher."

Primeira reunião dos Besteiros de Aljubarrota



14 de Agosto de 1385
"Acerta-lhe com o virote, corta-o como um serrote!"
Camaradas:
Venho por este meio, mui nobre e eficaz, pedir a comparência de todos os besteiros que serviram debaixo das ordens de tão valoroso comandante, que as más línguas epitetam de amante de moços (é só aspecto, ele gosta é de homens), o Condestável D. Nuno Álvares Pereira.
O banquete realizar-se-à na estalagem de Vítor M. Coito Constantino na supra-citada Vila.
Unidos até depois de mortos!
Nota: o restaurante existe e chama-se mesmo assim!!!

quarta-feira, 11 de maio de 2005

Publicidade

Estava eu no meu zapping pós-queima das fitas quando o escândalo e a dor bateram à minha porta, para já não falar da estupefacção.

O motivo desta reacção estranha foi um anúncio, não de pensos higiénicos, que eu acho ser o supra sumo da estupidez em matéria de publicidade, mas de bandas depilatórias.

Porque será que os anúncios com maior carga de estupidez são dirigidos às mulheres? Serão feitos por criativos machistas?!

Mas continuando. Estava eu acompanhado da minha cervejinha quando de repente aparece uma rapariga com uma perna engessada, com um rapaz imberbe a preparar-se para lhe retirar o dito - acho que ele não tem idade para ter qualificações para efectuar o serviço - e ela está preocupada com os pelos que possa ter na perna.

A voz off relata que ela usou bandas depilatórias que duram quatro semanas. A perna direita está impecável, sem um pelo que se veja, e se não me engano os pelos das duas crescem ao mesmo ritmo, a não ser que ela seja maluca e depile mais vezes a esquerda, então porque se preocupa?

Mas não é aqui que eu quero chegar. Quando se retira o gesso descobre-se, com grande surpresa, que não há pelos nenhuns, que surpresa!!!!

E logo de seguida o rapaz que descobrimos que é ortopedista, muito embora ele não tenha idade para ter o 12 ano, dá-lhe a marteladela da praxe no joelho e leva um pontapé nas partes baixas.
A voz off limita-se a dizer "Se ao menos todas as sensações durassem tanto tempo".

Estes publicitários são doidos. Sabem a dor que é levar um chuto nos TOMATES!!!???????

Penso eu de que

O amor é um pêndulo afiado que corta devagar o coração.

Penso eu de que

Errar não é humano, é estúpido.

Penso eu de que

Pensar é uma fraqueza, os ingénuos dormem melhor.

segunda-feira, 9 de maio de 2005

Queima do Porto II

Vocês sabiam que até sexta-feira dia 6, penúltimo dia de Queima já tinham entrado 250 000 pagantes no recinto?
Isto significa que a FAP encaixou cerca de 2 000 000€, a fazer contas de €8 por bilhete, já que tem que se fazer uma média entre os bilhetes de estudante entre os 5 e 6 e os gerais 10 e 12.
Espero ver o que FAP vai fazer com este dinheiro todo!!!
Afinal, na moeda antiga só são 400 000 contos!

Queima do Porto

Que dizer desta grande instituição?
Estivemos lá à procura de inspiração e de cerveja e já vos digo que foi de morte!
Uma bonita média de 20 cervejas por noite, das quais creio que só para aí umas três é que forma pagas...
Nunca subestimem o poder de persuasão de uma pessoa com muita sede!
Ou seja... 6 noites vezes 20 dá qualquer coisa como cerca de 120 cervejas que dá para aí 30 litros de cerveja!!!! Como se diz na minha terra "vai beber a uma bouça".
Tenho a acrescentar que dos concertos pouco vi e fodi a minha roupa toda. pareço um molho de podas ambulante.
Agradecimentos:
Ao pessoal da "Dura Moca", do "Kop's", e de mais algumas barracas das quais não me lembro do nome; ao pessoal da PSP que fez com que eu entrasse duas vezes de borla no recinto; ao Zeca pela credencial de domingo; à Cláudia pela credencial de sábado; e a todas as gajas a quem eu estive a chatear a cabeça!!!!
P.S. Marta se vires isto entra em contacto LOL

terça-feira, 26 de abril de 2005

Escritor semi-inspirado procura escritora transpirada

Escritor com um quarto de inspiração para partilhar procura escritora transpirada para dividir a renda de um blog em remodelação constante.

Responder para este endereço.

Agora sei o que escrever

Caros leitores:

A falta de inspiração foi chão que já deu uvas;
Não há fome que não dê em fartura;
A escrita é como as cerejas, quando escrevemos um texto não conseguimos parar.

Pois somados todos estes pressupostos, garanto-vos que o meu bloqueio cabou, pelo menos para já e durante esta semana vou voltar a atazanar-vos o juízo, com mais pérolas discursivas, daquelas que já me caracterizam.

Até lá leiam os outros blogs.

Miguel de Terceleiros

segunda-feira, 4 de abril de 2005

Não sei que mais escrever III

É desesperante tentar escrever e não nos vir nada à cabeça. Escreves e riscas logo a seguir. Escreves, riscas, escrevesriscas, que merda que borrão!!!!!!!
Desculpas… pedes uma cerveja. Bebes, bebes, bebes até que os teus sentidos se embotam e começam as ideias a fluir. Precisas é de um calço mental para poder deixar que tudo que está dentro de ti saia a bem.
Começas a rir, primeiro por dentro e depois gargalhas, metralhas tudo à tua volta, agarram-te pelos colarinhos e põem-te na rua.
Para além de não conseguires escrever também não consegues falar. Só consegues rir, rir, rir, rir, rir e começas a lavar-te em lágrimas, de tanto rir e não conseguir parar.

Não sei que mais escrever II

Ao contrário do que era usual, tudo o desconcentrava.
Uma criança de colo chorava e a mãe teimava em não o acalmar. Com a indiferença no olhar continuava a falar com a amiga e de quando em vez soltava um “o raio da criança não se cala” e continuava na sua estagnação de espírito que já lhe advinha da nascença. A estupidez momentânea, que passa por toda a gente sazonalmente, por álcool, sono ou distracção, até é aceitável e ludibriável, mas a congénita, nem pena se deve ter, não há solução e ponto final.
Cansou-se de observar aquela estupidez de cavalgadura e dirigiu a sua atenção para o papel em branco que devia encher-se de letras. Aquela alvura gritava-lhe aos olhos e deixava-o louco. Quanto mais olhava menos ideias lhe vinham à cabeça.

terça-feira, 15 de março de 2005

Não sei que mais escrever

Foi exactamente naquele dia de Janeiro que as coisas começaram a aquecer. Saíra de casa com uma vontade de se desintegrar em mil pedaços. Não fazia sentido nenhum o que tentara escrever. Como escritor que era, a escrita é que lhe dava de comer, e sem fazer sentido, não ia muito longe. Tentou organizar as ideias e compreender o que estava mal, mas não conseguia.
Seguiu rua fora, com os camiões, a alta velocidade, a deslocar-lhe o centro de gravidade e a afastar os insistentes mosquitos que proliferavam junto à sua casa. Sentou-se na pastelaria do costume e começou a rabiscar as primeiras palavras, e deixou-se entrar numa imobilidade introspectiva que costumava obter o efeito desejado.

Os três períodos do homem

As várias correntes da Filosofia/Psicologia criaram várias teorias acerca do crescimento do homem, mas numa manobra de bastidores vamos tentar revolucionar completamente as teorias instituídas e relegá-las para um plano insignificante da nossa volátil memória.
O homem, entende-se sexo masculino, só pressupõe três fases na sua vida madura, que giram em torno da esfera sexual, como não podia deixar de ser. A primeira fase é o chamado Período Pré-ejaculatório. Neste período o homem atinge um grau de obsessão preocupante na constante procura da cópula. Atinge normalmente o grau 7 da escala de Kerosaltarparaacuecadealguémrápidoantesqueosmeustestículosrebentem. O macho tem uma ideia fixa que é copular com alguém seja de que forma for. Dirige-se às Gafarias, vulgo discotecas e atira-se ao bando na esperança de concretizar o seu objectivo. Qualquer espécime serve em alternativa ao Five Fingered Jack, amigo de qualquer bolso das calças.
A segunda fase é o Período Ejaculatório, propriamente dito, em que o macho já está efectivamente na cópula a saciar a sua gula como um abutre no pico do Outono. Nesta altura registam-se níveis entre 4 e 9 da escala Daquinãosaiodaquiningémmetira. O macho pensa que já está a fazer aquilo para que foi criado.A fase três, a última, para quem estava distraído é o Período Pós-ejaculatório, em que o macho acorda do cansaço e da bebedeira, olha para o lado e com uma onda de choque, que lha atravessa o corpo e lhe entorta as orelhas em nuances de caos, grita a plenos pulmões AI QUE ELA É TÃO FEIA!!!!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005

14 Euro de Táxi II

Uma operação stop. Começas a ver a tua vida a andar para trás.

“Não diga nada, deixe-me falar.”

“Boa noite. Os seus documentos e os da viatura.”

“Boa noite senhor agente, é para já.”

“O senhor sabe que vinha em excesso de velocidade?!”

“Devo ter-me distraído, sabe como é, engatámos na conversa” aponta para ti “e devo ter carregado mais um bocadinho no acelerador.”

“Pois é, mas o senhor é um profissional e não se pode distrair, vou ter que o autuar.”
Pensas na mulher que está na tua cama e resolves intervir.

“Senhor agente, se me permite, a culpa é minha. Vim do Sul em negócios e fui beber um copo. A certa altura uma ruiva, daquelas poderosas, veio ter comigo. Perguntou-me alguma coisa em inglês. Era croata. Está cá também em negócios e vai-se embora amanhã. Conversamos um bocado e eu gostei dela e ela de mim. Convidei-a para ir para o meu hotel e ela achou boa ideia. Quando cheguei ao quarto descobri que não tinha preservativos e foi nessa altura que contratei este senhor para me levar a uma bomba de gasolina para os comprar. Como vê é uma emergência.”

“Amigo, não diga mais nada, se eu tivesse um que fosse dava-lho já, mas espere um pouco que vou ver se o desenrasco.” Resultou! A solidariedade entre homens é a melhor coisa que existe. Ainda estás a tentar perceber como tiveste a lata para dizer aquilo tudo quando o agente volta.

“Falei com os meus colegas e nenhum tem, mas já ali à frente há uma bomba de gasolina que tem.”Encolhes os ombros, fechas a boca, o taxista sorri porque não vai ser multado e recebidas as indicações o teu companheiro volta a pisar no acelerador.

14 Euro de Táxi I

Baixa do Porto. Olhas para o relógio da Câmara e descobres que faltam três minutos para as cinco da manhã.

O Jack Daniel’s diz-te o que deves fazer, diriges-te ao Mercedes creme e abres a porta. Um homem dos seus quarenta e muitos está lá sentado. Barba cuidada, mas com as manchas amareladas típicas de fumador, rugas que marcam os que optam pelos turnos da noite e o inevitável casaco de cabedal preto, está a fumar e faz o gesto para deitar fora o cigarro.

“Boa noite. Deixe estar, eu também sou fumador”. Ele agradece com o olhar e pergunta “para onde”. “Vou-lhe ser muito sincero. Tenho no quarto do hotel uma rapariga lindíssima e preciso de preservativos. Leve-me a uma bomba de gasolina!” O homem arregala os olhos e irrompe numa gargalhada que te dá vontade de rir também, no entanto ficas sério o que faz com que o taxista se sinta mal por ter rido. Sorris e o ambiente desanuvia-se.

“Ok vamos a uma aqui perto que me parece que estás bem fornecida. Mas diga-me o senhor não é de cá pois não?!”

Abres a boca para falar e reparas que tens falado com sotaque do Sul, involuntariamente disfarçaste-o porque achas que deves passar incógnito nesta delicada missão. Resolves alinhar na conversa dele.

“Sou do Sul, já estudei cá, mas agora trabalho e vivo lá em baixo. Venho cá de vez em quando em negócios e hoje, quando menos esperava, vem uma mulher ter comigo, e sabe como são estas coisas…” Mentes com todos os dentes que tens na boca mas achas que foi bem improvisado. Acrescentaste que viveste na cidade para assegurar qualquer falha no sotaque e para o taxista não se pôr a dar voltas desnecessárias para te comer o dinheiro.
“Pois amigo, se eu tivesse a sua idade também aproveitava. Até é pecado recusar uma mulher que nos cai nos braços vinda dos céus. Eu, no meu tempo, também fiz das minhas e digo-lhe que nestas coisas temos é que ser uns para os outros. Estamos com azar.”

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005

Liga das Quecas Extraordinárias XIX

«Pedalas como se a estrada nunca mais tivesse fim. É uma recta enorme, sem fim, interminável. Ao teu lado vês mais três pessoas, que pedalam com mais ou menos esforço, mas que teimam em acompanhar a tua corrida que não tem meta definida. Sentes-te estúpido porque tens a intensa sensação que a velocidade que manténs não te vai levar a lado nenhum ou acrescentar nada ao que já sabes.

Analisas as caras de quem pedala ao teu lado e vês expressões de esforço, que não levam a nada, a lugar nenhum. Circunspectos fazem a sua viagem interior sem nenhum interesse pelo esforço que estás a fazer, pelas calorias que queimas, pela velocidade a que vais, afinal pensam o mesmo que tu, não vão a lado nenhum com aquela correria maluca, de alguma forma vão pôr os pés no mesmo lugar em que montaram na bicicleta, o mesmo espaço, o mesmo ar rarefeito pela respiração dos companheiros de pedalada.
____________________________________________________________________

É apologista da velha máxima Mens sana in corpus sanus. Estava a ficar preocupado com a barriguinha que tinha vindo a desenvolver. Cerveja, muita, francesinhas e falta de exercício, levaram-no a este estado semi-vegetativo de pedalanço.

A barriga, que ao início definia como mochila, crescia a olhos vistos, e do six pack de superbock, que ele tão orgulhosamente apregoava, que trazia lá dentro, passou-se para um invólucro bem mais grave. Transformou-se numa espécie de saco amniótico com um nascituro prestes a ver a luz do dia, só que nunca mais nascia.

Como um pai babado dizia: “Se for menino chama-se Super Bock, e se for menina Heineken”. Um dia acordou mal disposto e resolveu fazer um aborto.

Foi para o ginásio, um pouco às aranhas, não fazia a mínima ideia do que lá ia encontrar ou fazer. A sua primeira impressão foi de que acabara de entrar numa exposição de tortura medieval. Ainda procurou a Iron Maiden, mas não a encontrou em lado nenhum. Aquela maquinaria toda intimidou-o, mas não o fez desistir.

____________________________________________________________________

Saltas da bicicleta, olhas-te ao espelho e vês os indícios do peso da idade mas não da condição física, afinal tratas muito bem do teu corpo, não por escolha própria mas por circunstâncias da vida que a isso te obrigam. Não tens carro por isso tens que andar para todo o lado com os atributos que o criador te forneceu, pernas.
Pernas bem modeladas, perfeitas, dirias tu, não há ponta de celulite, adivinha-se através do fato de treino de malha justa, consegues identificar os músculos em esforço. A máquina de adutores dá-te uma perspectiva deles a trabalhar bem como outros que te interessam bem mais.

A humidade do suor faz com que o tecido se cole à pele sugerindo tudo e mais qualquer coisa, as pernas tentam contrariar os 35 quilos de peso mas voltam naturalmente à posição de 90 graus, a posição de parturiente. Sugestão, sugestão, sugestão. Começas a imaginar muitas coisas naquela posição. Ela repara em ti. Fecha a boca, limpa a baba. Ela sorri, ficas da cor da tua t-shirt, será que já tem dezoito anos, pensas.


___________________________________________________________________


Este homem de vez em quando tem paragens de cérebro, de certeza. “Ela” como ele lhe chama está no ginásio desde que ele o frequenta. É nova, mas já tem o curso de Educação Física, por isso pelo menos 22 tem.
Ele já devia ter reparado que ela é uma das monitoras do ginásio, ou é qualquer frequentador que ajuda as velhinhas e os novos alunos com os seus programas? Este tipo, o que tem de inteligente também tem de falta de perspicácia.

___________________________________________________________________

No dia seguinte entras no ginásio e está deserto mas não é de espantar, a seguir ao almoço é comum teres as máquinas todas para ti. Vais para a passadeira e escolhes o programa de caminhada/corrida, colocas a fita de medição de batimentos cardíacos e ela acusa os 134 da praxe, já em esforço.
Um ruído estranho à música chama a tua atenção. Umas calças de malha entram na sala e sorrindo vão colocar-se na máquina de adutores, mesmo à tua frente. Começam o exercício lentamente e ao mesmo ritmo o suor começa a provocar o efeito já bem conhecido. A máquina dispara para os 150 batimentos por minuto. Já sentes sangue por todo o corpo.

____________________________________________________________________

Está perto dos 30. Olha para mim como se quisesse devorar-me até ao âmago. Sei que quer fazer parte de mim. Já estou farta de reparar no olhar disfarçado e guloso com que me olha e nem sei se por insegurança ou por outra razão que me passa ao lado, não dá o passo em frente.
Já há um mês que me despe com os olhos e começo a temer que isto não passe de mais de um caso inacabado para juntar aos muitos que já tenho.

Todos os dias me visto de forma a provocá-lo mas não há maneira de se chegar a mim, nem sequer dirigir-me a palavra. Há dias passou-me pela cabeça que se calhar me acha nova demais, mas que raio (!), com vinte e três anos já não se é nova, pelo menos já se sabe o que se quer e ninguém tem nada a ver com isso.

____________________________________________________________________

A perspicácia que lhe falta a ele tem-na ela, afinal isto tem que ser equilibrado. Não pensem que o jovem está entusiasmado por qualquer uma. Como mediador desta conversa tenho que informar o leitor que a rapariga é um pedaço. Infelizmente, como escritor, personagem invisível que trata um por tu e ao outro não se atreve a dizer nada, já que a moça tomou as rédeas da narração, não posso fazer nada para a seduzir. Tenho que esperar sentado que aquele burro se decida a avançar, mas não lhe posso dizer nada dos pensamentos dela.

___________________________________________________________________

Sinto-me mais segura, hoje surpreendi-o de boca aberta, posso até arriscar que se babava. Corou quando reparou que o fixava, não há dúvida nenhuma que me deseja da mesma forma que o desejo a ele. Sorri para o encorajar, mas nem assim investiu no que devia, acho que é altura de ser eu a arriscar.

Entrei no ginásio e, ao contrário do que é costume aquela hora da tarde, não estava deserto. O meu Adónis está na passadeira. Fico alguns segundos a admirá-lo, deste ângulo não me consegue ver. Como está sozinho está só de calções, a t-shirt repousa no chão ao seu lado. O suor escorre-lhe pelas costas em direcção ao rabo firme e bem feito. Fico excitada. Uma ideia passa pela minha cabeça e, acto contínuo, vou à entrada e tranco a porta.

Escolho a máquina que mais efeito produz nele e começo o exercício com o olhar fixo nele.
Sinto o meu corpo em esforço e mantenho as pernas abertas mais tempo do que o necessário, a humidade toma conta de mim e consigo apalpar as minhas feromonas que, em demasia, já ocupam o espaço aéreo.
___________________________________________________________________

Estás… a ficar maluco! A máquina acusa 164, daqui a pouco começa a apitar feita doida. É agora ou nunca, não consegues resistir. Sais da passadeira com ela ainda a funcionar e já só consegues pensar com um dos membros inferiores.
Tonto, devido à saída repentina do tapete, diriges-te a ela e perguntas “Quantos anos tens?”.
____________________________________________________________________

A pedofilia, hoje em dia, é capaz de castrar o maior dos garanhões. Respondi-lhe com a verdade, ele agarrou-me, tirou-me da cadeira, com beijos de conaisseur, despiu-me de roupas, de suor e colou-se a mim sentando-nos na máquina na sua posição fetiche por que tanto se babava.

____________________________________________________________________


Bem e assim acaba. Desta vez Midas não precisou do seu toque de ouro porque a rapariga já tinha atingido o estado maior de maturidade. Todavia ele não sabia, mas também não era eu que lhe ia dar a informação.
Como escritor tenho que escrever sempre distanciado destas personagens, por muita simpatia que nutra por elas. Se me apetecer matar alguém vai-me custar, mesmo que tenha um a personalidade muito má, mas mato. E nem sei porque estou a escrever isto, afinal a aparte que interessa já está dita…»

Liga das Quecas Extraordinárias XVIII

“E não havia de o fazer porquê? É sempre a mesma merda, metes-te em cada confusão! Ia dizer que não percebo porque raio é que continuas com ela, mas a pergunta deve ser porque continua ela contigo?”
“Nisto estou como o Narciso, acho que o Penedo se humilha demais. Já viste a quantidade de merda que tens feito? Passas a vida nisto!”
“Olha que tens muita moral para falar, a roubar namoradas aos outros, que nem sequer é roubar porque dás a queca pões-te a andar. Para além disso nunca disse ao Penedo que ela era a única mulher da minha vida. Ela fica irritada é por as outras pessoas descobrirem as minhas facadas.”
“Não estamos aqui para julgar ninguém, por isso vamos tentar descodificar a última intervenção da noite, afinal já sabemos que temos de estar atentos para perceber o que o Midas escreve.”

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

Medicina, Piso 8 cama 15

Às três da tarde entrou na recepção do hospital uma rapariga que aparentava uma idade que se enquadrava no espaço etário entre os 20 e os 30 anos. Dirigiu-se à recepção, disse o nome do doente que vinha visitar, perguntaram-lhe qual era o parentesco e pediram-lhe uma identificação como contrapartida para obter o cartão de visitante.

“Esposa” declarou. “Não tem um cartão mais recente” perguntou o funcionário, “não, é tudo o que tenho comigo” respondeu a rapariga, que pelo que vestia parecia ser contemporânea do cartão que apresentava, ou então retirada dos confins de uma serra esquecida pelos homens. O recepcionista encolheu os ombros e deu-lhe o livre-trânsito para medicina, piso 8 cama 15.

Caminhou, arrastando as socas com ruído, como se não sentisse quem passava por ela, mas quem por ela se cruzava também parecia não dar importância à sua presença, muito embora fosse uma personagem descontextualizada daquele ambiente. Como se conhecesse o caminho dirigiu-se ao local definido pelo recepcionista e excitou a sua memória numerária para identificar o 15.

Entrou e viu três camas com três cortinas a fazer meia separação entre os três corpos que ali descansavam. Aproximou-se da cama que ficava entre a 14 e a 16 e afagou a cabeça do homem que lá estava deitado. Sorriu ternamente e sussurrou-lhe “então homem, como estás?”
O homem deixou de olhar para o vazio e perguntou-lhe o que fazia ali “como vieste, que estás aqui a fazer” resmungou com surpresa.

“Vindo, omessa! Não me digas que não estás contente por me ver?”. Tirou-lhe os tubos todos e em segundos aquele velho corpo começou a respirar melhor, da posição de decúbito dorsal, a que estava condicionado há já largos anos, saiu e sentou-se na cama olhando de frente para ela, com um brilho radioso nos olhos.

“Hoje vais ter alta” disse a rapariga “até tenho aqui o cartão para ti.” Estendeu-lhe um cartão azul celeste que foi aceite com um sorriso de garoto. “Nem preciso de roupa, estou tão farto de aqui estar que vou mesmo de pijama.” Levantou-se e agarrou a mão da rapariga, saiu porta fora e quando transpôs o limiar, olhou para trás e viu, entre a 14 e a 16, o corpo de um octogenário, seco, já sem respiração, olhos a fixar o vazio, balão esvaziado de tanta vida, sofrida e completa... Feliz.

Olhou para o lado e viu a sua esposa de há sessenta anos atrás, perdida cedo demais, a dizer-lhe com o olhar “finalmente juntos, foste teimoso mas estás comigo, para sempre.”

Liga das Quecas Extraordinárias XVII

Dez minutos e muitos quilómetros depois, tinha ultrapassado dezasseis carruagens com esforço, devido ao balanço pendular imprimido pela velocidade do comboio aliada ao esforço dos carris em manterem o monstro metálico na linha.

Pedi uma cerveja e sentei-me no sofá semicircular que parecia retirado de uma casa de alterne. Dois goles na cerveja e entrou o reflexo da ruiva e um segundo bastou para o corpo se juntar à imagem. Olhou para mim e acenei-lhe com a cabeça.

Pediu uma cerveja e pensei “é cá das minhas”. Com um olhar sugestivo sentou-se no banco virado para o exterior. Pelo reflexo da janela íamos medindo forças, não desviávamos o olhar e com paciência tentávamos reconhecer no olhar alguma coisa que nos desse coragem para dar o primeiro passo.

Devem estar a pensar que estou a fazer filmes onde eles não existem e com frequência é assim... Quando necessitados vemos convites e sedução em todos os olhares e assim estava a acontecer.
Nem por momentos me lembrei que tinha namorada. A emoção de uma mulher nova, de uma conquista, corria já no meu sangue a toda a velocidade, ultrapassando o comboio.

Levantei-me e segui para o meu lugar. A covardia estava a conduzir-me, decidira não arriscar. Já perto da minha carruagem reparei no reflexo das portas que estava a ser seguido, por ela.
Abri a porta da casa de banho e vi os olhos dela a fixar-me. Entrou sem uma palavra, beijou-me avidamente e em frémitos de prazer desapertou-me as calças, levantei-lhe a saia de ganga…

Trezentos e trinta e sete gemidos depois, abri a porta e ouvi “podias ter sido mais discreto, ouvia-se na carruagem do bar”. Joelhada nos tomates, soco num olho, olhar de desdém para a saia amarrotada e foi-se, comigo atrás dela, a gemer agora de dor.
Perdoou-me.”

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

Liga das Quecas Extraordinárias XVI

O grupo olhou ansiosamente para Tântalo, começava a remexer nos seus catrapássios. As suas histórias costumavam ser uma mescla trágico/cómico, com alguns laivos de loucura saudável.
“No dia 29 de Dezembro meti-me no comboio com destino a ******, com o intuito de passar o fim de ano num sítio diferente. Sentia-me cansado de fazer sempre a mesma coisa, ver sempre as mesmas caras, respirar o mesmo ar, e não me ia fazer mal mover-me num ambiente diferente.

Apanhei o comboio rápido a meio da tarde, e como a viagem demorava pelo menos quatro horas, recostei-me confortavelmente, na medida do possível, no meu banco, com o Penedo ao meu lado, encostada ao meu ombro.

Acho que não há necessidade de explicar como as mulheres tornam as coisas mais difíceis do que elas tem que ser. É fodido quando temos namorada nestas alturas. Ninguém no seu perfeito juízo leva areia para a praia. Queremos ir para a rambóia com os amigos, conhecer outras pessoas, de preferência do sexo oposto, mas a namorada começa com aquela chantagem psicológica que só ela consegue fazer, ela e todas as namoradas do mundo. Choraminguices, lamúrias, “não gostas de mim”, “dás mais importância aos teus amigos que a mim”, maldito umbiguismo!!! Olhar para o seu próprio umbigo é nestas situações uma característica eminentemente feminina.

Então, e como era inevitável, bati o pé, discuti, esperneei, e acabei por lhe fazer a vontade, mais uma vez. Não há nada mais desgastante que o capricho de uma mulher, às vezes preferia que um abutre me devorasse as vísceras todos os dias, o efeito seria mais suave, nem nada tão eficaz como a vontade delas, senão vejam o papel de Helena na guerra de Tróia.

Estava eu a considerar alguns dos aspectos da minha tese, quando descobri um olhar feminino que me ia fixando com atenção. Tinha cerca de quarenta anos, cabelo pintado com aqueles reflexos de acaju, olhos castanhos e uns lábios finos mas bem desenhados. Não obstante a idade estava bem conservada e pela roupa que usava, notava-se um gosto requintado mas descontraído.

A certa altura o olhar dela começou a desconcentrar-me. Ao meu lado, a minha senhora já ressonava com suavidade, e já que estavam a tentar gozar comigo ia entrar no jogo. Olhei-a com interesse e sorriu enigmaticamente, tirou um cigarro e anuiu com um gesto da cabeça. Com suavidade desviei a cabeça da minha companheira e segredei-lhe que ia ao bar.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2004

Liga das Quecas Extraordinárias XV

Segui-a sem comprar um livro que fosse e observei com interesse as suas linhas, enquanto íamos falando de livros. Se tivesse uma armadura e um cavalo era uma Valquíria e sem dúvida que montaria como uma. Comecei a imaginar mil e uma coisas até que chegámos a sua casa.

Uma vivenda típica daquela zona com grades de ferro forjado dos finais do século XIX a proteger as janelas, azulejos art deco, uma porta única de entrada com um vitral fabuloso na bandeira, que mostrava uma cena de batalha entre harpias e homens. Sugestivo…

Levou-me para o seu quarto e pediu-me para esperar. A janela, ampla dava para as traseiras onde se via um jardim de buxo com aqueles desenhos espiralados típicos que só se conseguem fazer com este tipo de sebe, aliás quem viu um viu todos. Na parede do lado direito uma grande estante de mogno castanho mimetizava tomos castanhos de variadíssimos autores.

Comecei a percorre com o olhar os títulos, para perceber qual seria o Arché da rapariga. Tulcídides, Júlio César, S. Tomás de Aquino, S. Bento, Dante Aghlieri, Petrarca, Dumas, Salgari, Eça… e tantos mais que fiquei boquiaberto. Folheei os mais sonantes e vi uma série de anotações em vários tipos de caligrafia e descobri que pelo menos três pessoas haviam lido a maior parte dos livros. Pela data cheguei à conclusão que a minha recém desconhecida amiga tomava o nome de Jocasta. Nem de propósito caros amigos.

“Estou a ver que já descobriste a surpresa… mas vamos ver de que surpresa gostas mais”. Estava de roupão e com o cabelo preto preso à amazona. Aproximou-se e beijou-me e o meu corpo todo respondeu àquele toque. Começamos a tirar a roupa e com olhos delirantes descobri que ela cobrira todo o corpo com uma camada de latéx que a tornava ainda mais sensual do que já me parecia.

Ao passar as mãos pelo seu corpo descobri algo estranho, que não tinha o seio esquerdo como as amazonas que o cortavam para melhor poder atirar com o arco. Fiquei doido e tive a melhor tarde e noite e tarde e noite outra vez que já tive na minha vida. De vez em quando nos momentos de descanso a minha Valquíria dizia-me ao ouvido “Tu és o homem mais sábio que conheço em todos os campos” ao que eu lhe respondia “Enganaste-me bem com aquela conversa dos livros, e eu a pensar que te estava a ensinar alguma coisa…”.

Não quis saber porque não tinha seio, resolvi arquivar isso na minha mente como uma coincidência para fortalecer a minha fantasia Wagneriana.

“Como sempre excedeste-te! Não sabes escrever pouco? É sempre a mesma merda, preocupas-te demais com os pormenores e com os preliminares.”

“Deixa estar, se assim não fosse não era ele. É a puta da mania de que escreve numa revista, mas bem vistas as coisas só lhe fica bem.”

Tântalo saiu como era costume em defesa do ataque de Minotauro que tinha que meter a sua colherada crítica.

“Gostei muito daquele trocadilho entre o Cérbero e o cérebro. Achei de uma qualidade a toda a prova. Como raio é que te foste lembrar disso?”

“Pois é, isto não é para todos, isto de ser bom tem que se lhe diga!”

Liga das Quecas Extraordinárias XIV

“Estou a ver que tem também uma visão muito crítica das leituras que faz. Gosto de homens assim, críticos e com ideias próprias. Pensei que tinha lido muito, mas pela amostra, estou a ver que ao meu lado você é a biblioteca de Alexandria e eu uma simples alfarrabista de rua” é escusado dizer que me babei por dentro, afinal que melhor elogio podia ter do que um à minha cultura “mas diga-me, gostava de ler um livro de fantasia relativo à mitologia nórdica, o que me aconselha?” senti-me poderoso, como é óbvio. O meu cavalo de Tróia entrara em grande estilo dentro da sua cidade e os meus soldados estavam já com o nervoso miudinho para fazer o saque.

“Sobre mitologia nórdica, confesso que não lhe posso indicar nada de especial” disse com humildade disfarçada, para não parecer muito seguro de mim e não afastar a caça “mas em contrapartida posso-lhe dizer que um senhor chamado John Ronald Reuel Tolkien escreveu uma série de livros inspirados nessa Mitologia.

“O Hobbit”, “O Senhor dos Anéis”, um livro só e não três livros como muitos pensam, ou o “Silmarillion”, a bíblia que explica o Génesis de um fantástico mundo, criado de raiz, com língua, mitos e geografia próprios, tudo inventado a partir dessa interessante história sobre-humana que é o panteão de Odin e seus congéneres. Tolkien leu na língua original as sagas nórdicas e a partir daí criou uma alegoria do mundo industrializado contra a tradição, apoiado nas suas vivências nas trincheiras da primeira guerra mundial.

É interessante lê-lo à luz desses acontecimentos e tentar ver os paralelismos que existem. Dá também um alento para ler as mitologias nórdicas e ver o que é original, adaptado ou criado.”“Já deu para perceber que percebes muito de literatura e não és um leitor muito comum para a tua idade. Desculpa estar a tratar-te por tu mas temos os dois a mesma idade, mais coisa menos coisa. Não queres dar um salto até minha casa, tenho lá algo que vais gostar de ver.” Não me perguntou, ordenou.

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

Liga das Quecas Extraordinárias XIII

“Como começar caros colegas? Reportar-me-ei aos acontecimentos do dia 22 de Outubro deste ano insuspeito.

Nesse dia saíra como já era costume para fazer a minha actualização mensal na biblioteca municipal e nas minhas livrarias de eleição. Na biblioteca fiz a resenha das novas publicações e nas livrarias fiz a recolha das publicações dos livros que iria ler nos próximos trinta dias.

Às vezes não é fácil escolher o que ler, principalmente quando a oferta é tanta. “Memorias de mis putas tristes”, “O velho e o mar”, “O Pêndulo de Foucault”, “Juliano”, “Os jardins de Luz”, “o Conde de Monte Cristo”, “A Voz dos Deuses”… cada um ao seu estilo chamava por mim e tornava cada vez mais difícil a decisão do que levar.

Ao meu lado uma rapariga de cabelos negros olhava de soslaio para a minha indecisão. Continuei a ler as anotações na contracapa dos volumes para ter alguma ajuda até que a rapariga, como a revelação da pitonisa de Delfos, me esclareceu.

“Umberto Eco é um óptimo autor, se bem que de vez em quando se torna muito denso.” Falava tão rápido que a frase lhe soou a “UmbertoEcoéumóptimoautorsebemquedevezemquandosetornamuitodenso".
“Desculpe menina, mas está a falar deste livro em particular ou dos outros títulos que existem na sua extensa bibliografia?”

“Estava-me a lembrar especificamente de um… “A ilha do dia antes.” Pensei que seria um teste à minha cultura e como sabem que não gosto de me ficar quando o tema é a minha cultura literária, senti aquilo como um desafio e resolvi entrar no jogo.

“Se acha que esse livro é denso é porque ainda não passou os olhos por este. Estava a pensar comprá-lo para o reler.
A primeira vez que passei os olhos por ele foi quando tinha dezasseis anos e confesso que muita coisa me passou ao lado, mas ao mesmo tempo atraiu-me para tudo que tivesse a ver com este autor. Este sim, é na realidade denso. Começa pela temática, que misturando Templários, Rosa-cruzes, sinarquias, satanismo e afins a torna numa obra per si densa e hermética. A forma como Eco brinca com a escrita e com as personagens e como introduz informação de várias áreas que vai cruzando, ainda complica mais a leitura e não há dúvida que o faz de forma magistral.”

“Muito bem… já me deixou com vontade de pegar nele e começar a ler. Li o nome da Rosa e a impressão que fiquei depois de ter lido a ilha foi que ele adensa muito a escrita por isso é que nunca mais peguei… num livro seu.

Mas tem aí um dos meus autores favoritos. Já leu “A Criação”?” Mais um teste. Estava mesmo tentado a dar-lhe uma lição de literatura. Senti-me como Édipo em frente à esfinge, com todas aquelas questões, mas isso excitava-me. O Cérbero é o maior dos órgãos sexuais e mulheres deste tipo despertam-me o desejo.

“Gostei, muito embora é uma perspectiva demasiado americanizada da cultura europeia. Gore Vidal é um bom crítico se bem que de vez em quando exagere. Não há dúvida que minimiza a cultura grega em relação às culturas do Médio e Extremo Oriente suas contemporâneas, como calara intenção de dizer que os europeus estariam mais bem servidos se estudassem melhor as filosofias orientais.Não discordo que a cultura de história europeia não dá atenção nenhuma a parte oriental da história universal, mas também não é assim tão grave para Vidal dizer que os gregos eram uma cambada de corruptos e homossexuais e que os orientalistas, esses sim eram porreiros. Há que haver um meio-termo.”

segunda-feira, 29 de novembro de 2004

Liga das Quecas Extraordinárias XII

Minotauro entrou logo a matar, talvez como vingança por C.M. questionar o seu conhecimento sobre mitologia nórdica. "Desculpa lá mas achas que S. Macário é uma referência mitológica?"

"Não acho, tenho a certeza. É claro que é uma referência mitológica! Ou achas que o cristianismo por ser a religião dominante deste país e tentar calcar as outras religiões não deixa de ter a sua mitologia? Se a Mitologia é uma expressão de uma ideia, doutrina ou teoria filosófica sob forma imaginativa onde a fantasia sugere e simboliza a verdade que se pretende transmitir, porque raio é que o cristianismo não se enquadra aqui? É isento? É uma religião como outra qualquer!

Os santos não são mais que prometeus, que não tendo roubado o fogo dos deuses, agiram em consonância com os objectivos e ideais de um Deus parte de uma trindade copiada doutras mitologias. Aliás, o cristianismo não é mais do que uma reciclagem de mitos de outras religiões e correntes filosóficas anteriores. O dilúvio existe em muitas religiões... Os dez mandamentos estão implícitos em todas as teorias discursivas das várias correntes que expicam a realidade. São tudo metáforas.

É claro que o S. Macário esteve em cima de uma coluna tempos sem conta para se purificar, e por isso se tornou mártir entrando pela porta grande no panteão cristão. Sim porque o Deus castigador e vingativo só existe no cristianismo. É o supra-sumo mas mais valia ter os defeitos que os deuses das outras religiões tinham e ostentavam. Assim torna-se num Deus hipócrita, já que ninguém pode acreditar que um deus não tem defeitos.

E mais, digo-te mais, se Deus fez o homem à sua imagem, eu olho à minha volta e chego à conclusão que Ele não deve ser nada mais nada menos que barro misturado com terra, mais dia menos dia apodrece e parte!"

"Bem, escusas de ser tão agressivo. Aceito perfeitamente a tua explicação. Embora seja católico reconheço que a minha religião cometeu os seus erros mas como tu dizes, e muito bem, o cristianismo apoia-se em correntes anteriores. É acima de tudo um conjunto de regras de conduta. Não me faz prurido nenhum reconhecer isso, só queria saber a tua justificação para a história de S. Macário."

"Está dito, e muito bem dito," conciliou Narciso "vamos continuar e se tivermos tempo voltamos a este tema no final.
Acho que chegou a minha vez."

domingo, 28 de novembro de 2004

Liga das Quecas Extraordinárias XI

"Farrapos que do tecido vieste e pela reciclagem haveis de voltar ao tecido. Vou contar o que me aconteceu na noite de S. Macário, o estilita que passava a vida numa coluna a tentar perceber que raio é que ali estava a fazer, um pouco da mesma forma que Baudolino, no fim do livro, seu homónimo, fez, muito embora este joe estivesse à cata do dinheiro dos incautos que por ali transitavam.

Nessa noite saí, como é costume às quintas, à caça. Fui para aquela gafaria insuspeita que toma o nome de *******. Gafaria porque, como sabem, todas as gajas que não valem a ponta de um corno - desculpa a referência aos teus ornamentos Minotauro - as leprosas desta sociedade, vão lá parar. É certo e sabido que em altura de crise sexual, sem dúvida que esta é a melhor coutada da cidade.

Entrei como de costume já meio bêbado, porque não é nada barato um gajo emborrachar-se com os preços que são praticados, e impraticáveis para os nossos bolsos, neste antro.
Comecei com uma cerveja, virtuosa oferta de Ceres e comecei a prospectar aquele quadro que parecia pintado por Caravaggio nos seus melhores dias de putas e vinho. As bacantes estavam por todo o lado, e eu sentia-me Baco a escrever as linhas mestras desta partitura orgíaca. Clinicamente olhei e escolhi a vítima para essa noite. Ruiva, flamejante, transpirava tanto sexo que eu conseguia cheirar as suas feromonas a cinco metros de distância, pelo menos era o que o etilismo me deixava ver.

Tenho uma teoria acerca deste tipo de espaços de diversão nocturna. Todas as gajas com que entabulamos conversa são razoáveis, mas depois de as levarmos para a cama, no dia seguinte ao acordar, só nos apetece arrancar o braço, que lhe serve de almofada, à dentada. Acho que vi isto num filme, mas não interessa porque a mistura das bebidas com as luzes das dicotecas criam uma ilusão atraente e depois, no dia seguinte é o que se vê, vamos para a cama com Vênus e acordamos com a Medusa!

Eis pois que me decidi a seduzir esta Pandora e ver se lhe podia abrir a caixa... Fui ter com ela, e qual não foi o meu espanto quando cheguei perto dela, e fui assediado com violência tal, que até pensei que devia sair mais vezes à rua com o perfume que estava a usar.

De possível sedutor passei a seduzido, mas como o que é oferecido não deve ser recusado preguei-lhe um beijo de tirar o fôlego, e qual não foi o meu espanto, tirei-lho mesmo, de tal forma que a desgraçada caiu desamparada, desmaiada no meio do chão.

Acordei do estupor com uma voz masculina - Ah Campeão, puseste-a Knockout com um só beijo - fiquei corado e saí dali com ela ao colo em direcção ao hospital.

Adormeci na Cadeira ao lado da cama, e quando acordei, não precisei de roer o braço para me safar desta Medusa, já que este não lhe estava a servir de almofada. Que feia!!!
É a história da minha vida."

Liga das Quecas Extraordinárias X

Acabado o relato, Minotauro bebeu um gole da sua receita e esperou as reacções. após os comentários avulso acerca da validade da história, e fazendo-se a contabilidade das referências mitológicas, Narciso perguntou quem eram os anões de Asgard.
"Os ferreiros da mitologia nórdica. Por várias vezes aliaram-se a Loki, deus do caos e da loucura, mas segundo a lenda foram os artifíces das armas dos deuses, inclusive o martelo de Thor, Mjolnir."

"Isso não é muita banda desenhada na tua cabeça?" perguntou C.M., que de mitologia nórdica sabia o que tinha lido nas aventuras da Marvel.

"A mitologia a que te estás a referir é um bocado romanceada mas tem um fundo de verdade, aliás a única coisa que ainda não consegui tirar a limpo é uma coisa que tem a ver com a Espada de Surtur, um gigante daqueles a sério, correspondente aos titãs gregos, maléfico, mas isso fica para outra história. Porém a mitologia nórdica é extensa como todas aquelas que conheces, fundamentada e tão importante que J.R.R. Tolkien, que deves conhecer" ironizou, "estudou-a a fundo e toda a sua obra é inspirada nas histórias destas loiras divindades."

Narciso, como líder que era terminou a discussão e propôs que se passasse ao próximo relato.

Cloaca com o seu ar de cigano de Kusturica sacou dos seus manuscritos e com um esgar divertido aclarou a garganta, com uma tossidela seca de fumador e começou.

sexta-feira, 26 de novembro de 2004

Inferno


Saiu da discoteca com a acidulência a queimar o estômago, os olhos a arder nas chamas do Inferno de Alighieri e respeitosamente amaldiçoou a sua sorte.

Olhou ao redor e viu toda a esterquície humana a esvair-se pela porta pútrida daquele antro de dinheiro mal gasto e álcool na demoníaca proporção.

Meteu-se num táxi e à medida que o seu condutor se lamuriava da crise instalada por todo o lado, que não me dá uma noite de trabalho em condições há muito tempo, conduziu a sua mente para pensamentos mais elevados, procurando encontrar o que tinha perdido no meio da música.

Os ouvidos zumbiam num síndrome de dependência síncopado e o pulso aumentava quando pensava no que tinha acabado de fazer. Saiu na lota e entrou no primeiro tasco aberto.

Pescadores de caras vincadas por rugas de suor e sal, comiam a bucha da noite, afastando assim o frio ao mesmo tempo que consolavam o estômago. As vozes grossas de muitos anos de mar, criavam um ambiente sónico que lhe embalava a mente.

Sorriu ao pensar que mais uma vez ia trabalhar sem dormir.

Liga das Quecas Extraordinárias IX

“É claro, caros confrades, não tenho que vos referir, que todo o meu ego, bem como outras partes do corpo, rejubilou de alegria. Fiquei ligeiramente preocupado, já que o seu companheiro se encontrava na mesma sala que nós, e para fazerem idéia do respeito que difundia, afirmo-vos com veracidade, que Polifemo ao seu lado sentir-se-ia um qualquer anão ao serviço do panteão de Asgard.

Naquele momento de mata ou morre, a única situação que me assomou a mente semi-entorpecida pelo álcool, foi o gigantesco talhante a desfazer-me as rótulas à cutelada, como se de uma vaca me tratasse. No entanto o desejo foi sempre maior que a prudência e propus àquela Circe de olhos verdes que se encontrasse comigo no jardim.
Garanto-vos, excelsos e devotos desta causa tão nobre, que fiquei siderado de agrado ao constatar que ela correspondera ao meu pedido.

Estava uma noite fantástica com a lua em quarto de crescente e pensei que nunca mais me iria esquecer do momento que passaria em tão devotada companhia. Segundo os cânones da sedução e da conquista, avancei primeiro e degustei a ambrósia dos seus lábios, fazendo com que gemesse de prazeer e remorso pela traição que estava a levar a cabo.

Entrados em jogos mais íntimos, começamos a ouvir ruídos que se assemelhavam aos nossos, e com prazer unimo-nos na sinfonia, que o casal de amantes que não viamos mas podiamos sentir, num recanto do jardim ali próximo cumpriam com deslavada paixão, idêntica à nossa.

Cansados e satisfeitos com o nosso pecado, levantamo-nos e digo-vos que o destino tem insuspeitos caminhos, e deparamo-nos com o casal que reflectia o mesmo pecado de satisfação e cansaço, Não eram nem mais nem menos que uma belissíma morena de olhos verdes acompanhada pelo amante do momento, o gigantesco talhante, namorado do prazer da minha noite.

Olharam-se primeiro espantados e depois divertidos, deram as mãos e afastaram-se, e eu com as rótulas a gargalhar de alívio encolhi os ombros e propus uma bebida à morena entretanto confusa com aquela situação de loucos."

sexta-feira, 19 de novembro de 2004

Liga das Quecas Extraordinárias VIII

Eram tiradas sortes para o primeiro relato a ser exposto, depois rodava à esquerda, sempre com solenidade, devendo cada um apresentar uma cópia em papel, manuscrita de preferência, par anexar à acta. Os Faustos indicaram que Minotauro seria o primeiro a expor.

“Cavalheiros desta mui nobre e sempre leal Liga: sem mais delongas, transmitir-vos-ei os acontecimentos que tornaram a noite de vinte e sete dos idos de Novembro, de um ano que não é para aqui chamado, num facto inultrapassável e acima de tudo digno de registo em tão ilustre panegírico alternativo a que pomposamente apelidamos de realidade.

Eis pois que, estando eu já cronologicamente exausto de seduzir, através de múltiplas e variadas formas a fêmea digna de um calendário Pirelli, comprometida de uma forma quase irreversível com um talhante, seu concubino de há longo tempo, e não vislumbrando forma do meu objectivo se concretizar, eis que a possuidora de toda a minha pulsão sexual, por um golpe inesperado do Destino, se embriaga.
Confidenciou-me ao ouvido que acima de todas as coisas, o que mais almejava nesse momento era devorar-me até ao tutano, nem que eu fosse uma pedra envolta em cueiros.”
Os oradores tinham que referir nas suas histórias situações de uma qualquer mitologia, certificando-as com bibliografia apropriada, se por um acaso não fossem do conhecimento comum.