domingo, 15 de outubro de 2006

Artigo 3 Alínea a)

Estavam a fumar drogas do peso da insustentável leveza do ser.

Não. Estavam a fumar drogas do peso da alma, aproximadamente duas dezenas de gramas mais uma.

No Brasil grama é relva, mas não era relva o que fumavam, era erva e de boa qualidade, que o cheiro que vêm destas páginas é bom.

-Também quero - diz o narrador, mas já não sobra nada.

Desloca-se ao Coffee shop mais próximo e compra um saquinho, transparente e cheiroso.

- Anacronias é que não - debita o editor - Então esta história não se passa em 1790?

- Passa, mas estou a falar do narrador, e ele pode muito bem estar no presente em Amesterdão. Eu é que sei.

- Ok, mas acho que o produto assim não vende.

... compra um saquinho transparente e cheiroso, senta-se na esplanada ao lado do Hotel, na Herengracht e fuma.

Pensa no que pode mais narrar.
Pensa!

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Artigo 2 alínea a)

Red Willow Riders - Valerie Graves

Anno 1790
Dois cavaleiros corriam contra o vento. As rajadas tinham 4 nós de intensidade, o que cá para nós é coisa pouca.
Um dos ginetes, de seu nome Bosford, declarou, em surdina, que a mistura com água tónica do jantar, lhe tinha caído mal no estômago.
Quinino, o seu companheiro, ouviu, através do tropel dos equídeos, algo mas não fez grande caso. Queria poucas conversas e mais velocidade; espicaçou o animal.
- Vamos Tamarindo Gnoseológico Vasconço, coragem, falta pouco para chegarmos a Lisboa.
Bosford, aborrecido por não ter a atenção de Quinino, devolveu:
- Thalys, deixemos este Alemão empertigado e rumemos a Amsterdão.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

artigo 1, alínea a)


Uma porta bem conhecida!


Cinco troncos de pinheiro nórdico, três pessoas e uma pedra de granito, maciça, com o tamanho aproximado de sete portas. Não sabemos muito bem se portas de gaiolas de canários, de portas de casa ou de catedral; não sabemos.

Sabemos que são precisos três homens e cinco troncos de pinheiro nórdico para mover a pedra de granito, talvez por ser maciça.

Os três homens trabalham afincadamente, há cerca de nove anos, transportando a pedra para uma direcção que lhes é transmitida todos os dias. Tanto quanto sabem, até podem estar a andar às voltas com a pedra; é perfeitamente natural que depois de um mês de direcções diárias, as voltas fiquem trocadas e voltem, não ao ponto de partida, mas a um local bem próximo deste.

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Bom português

S5031952

Em que estadinho está a nossa língua!

Estava sossegado a ver as notícias nesse lindo canal que é a SIC, quando me deparo com uma bordoada no português que me deixou de boca aberta a descarregar impropérios.

Podia tratar-se de uma gralha, mas bem vistas as coisas...

Ora bem, estou para aqui a falar mas não desenvolvo.

A menina Conceição Lino, que admiro, não tem culpa do que o operador de teletexto escreve, e o que sucedeu é que onde se lê "Doente terminal defende eutanásia" lia-se uns segundos antes "Doente terminal defende autanásia" (!).

Mas que raio é isto? O que é a autanásia?!

Só tive pena de não ter sido lesto com a máquina fotográfica e apanhado a "gralha" a tempo.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

A polícia Judiciária informa:

No passado dia 3 de Outubro a tartaruga Shellie fugiu de casa nas Ilhas Galápagos e anda desaparecida desde então.

Fontes próximas da fugitiva indicaram-nos que as razões para a fuga do réptil foram os maus-tratos infligidos pelo pai. As mesmas fontes declararam que várias vezes “assisti a violentas sovas. O pai pegava num ramo de palmeira e fustigava violentamente a pobre Shellie nas costas, mas nunca na cabeça ou membros”. Declararam também que o pai nunca infringiu o código de honra que declina:”nunca batas no que pensa e no que produz” evitando bater na cabeça e nos membros.

É possível que Shellie tenha sido levada por maus caminhos, já que faz parte de um grupo radical chamado Shell Angels.

Apresenta uma tatuagem no dorso, facilmente reconhecível.

Se tiver alguma informação que nos permita conhecer o paradeiro de Shellie, não hesite em contactar-nos através dos comentários deste Blog ou pelo email.


sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Morangos com champagne


Só tínhamos em francês


Anda toda a gente a passar-se com a Floribela ou é só impressão minha?

Uma coisa é certa, a moça é um sucesso de marketing e agrada a miúdos e graúdos, até posso estabelecer esta analogia grátis com a revista Tintin, que agradava dos 7 aos 77, mas isto já é muita fruta para o pessoal que "cola" na televisão a assistir a esse fenómenos de massas sem molho "Pesto" (FMSMP) .

Lia na revista do Expresso (já agora os meus parabéns por terem deixado o formato lençol de cama de casal) que a SIC conseguiu arranjar um antídoto para os "morangos com açúcar", e é aqui que eu quero chegar.

Os "Morangos com Açúcar" já vão na sua quarta temporada, já sem referir dos morangos de Verão. É, sem dúvida, um fenómeno de popularidade, e estou certo, que muito graças às caras bonitas e corpos reluzentes de jovens escolhidos a dedo (poucos com talento).
É claro que os FMSMP trazem algumas vantagens e desvantagens (depende do lado da barricada em que estamos).

Tenho reparado que há um expansionismo descontrolado de morangueiros por todos os metros quadrados deste rectângulo de terra a que chamámos Portugal; para todo o lado que me viro vejo os cortes de cabelo, das personagens da opera de sabão, as roupas, as atitudes, os desportos, tudo, tudo, tudo.

Confesso que no início fiquei preocupado porque temos uma geração clonada. Depois da geração rasca e outras que não me vem à memória, temos a geração morangos.
Ora bem, temos um lado positivo.

Já sabemos que há um racio positivo para os homens na proporção homem-mulher (7,5 mulheres para cada homem). Atrevo-me a dizer que o racio mudou para melhor.

Com tanto morangueiro à solta as mulheres começam a ter alguns problemas em encontrar homens de jeito. Estou a falar de homens com barba rija até aos olhos, rudes, com personalidade e acima de tudo que forneçam uma sensação de aparente segurança.

Sabemos que o sexo feminino necessita de protecção (inconscientemente) e não me venham dizer que um morangueiro é capaz disso;se fosse gaja não entregava a minha segurança a um puto de crista com a cara que parece o cú de um bébé.

E mais, é certo e sabido que comer morangos provoca aftas, por isso é que eu misturo champagne.

Tudo isto quer dizer que as raparigas não tem mais que fazer senão virar-se para os machos em vias de extinção, os agora trintões ou a caminho disso (nos quais eu me insiro).

Esta é a boa notícia do dia, a nossa coutada de caça aumentou e de que maneira; adianto que o racio já vai nas 10 para 1.

Mesmo assim continuo com saldo negativo.

P.s. Pior vai ser daqui a pouco tempo, quando todas as raparigas se começarem a vestir como a Floribela (acho que vomitava se alguém assim vestido me beijasse!)

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

New Born (parte três)

New Born
New Born (parte dois)

- Qualquer pessoa que saiba bater com a língua nos dentes sabe disso.

- Isso é uma forma encapuçada de ironia, ou estou enganado?

- Não é uma forma de ironia, só estou a dizer que devias dar mais atenção a essas coisas. Passas a vida a queixar-te que ninguém te liga e no entanto és tu que mais contribuis para isso. A tua vida sempre foi uma maré, a única diferença é que não tem ciclos de seis horas.

- Mas isso não vem ao caso. Não era disso que estavamos a falar. Tens a mania de me interromper com essas considerações existencialistas, clínicas e dissectivas da minha personalidade e depois não consigo contar-te aquilo que me vai assombrando a existência.

- Coitadinho do menino, não o deixam falar... Essa linguagem pseudo dá-me vontade de rir. Porque não usas termos simples; porque é que passas a vida a usar palavras que são desnecessárias? Se fosses mais simplista, é provável que os teus grandes dramas se transformassem em comédia ou situações banais.

- Achas mesmo que sou assim dramático?

- Tenho a certeza absoluta. Conheço-te há tempo demais para saber disso, ou melhor, intuir. Sei que inventas estas situações para te sentires pior do que devias; pensas que assim consegues manter o cérebro activo, quando no fundo é mais simples ler Nietsche.

- Pronto, és capaz de ter razão mas como já te disse isso não interessa. Sabes quem é que me telefonou?!

- Ora deixa-me adivinhar... Não foi o Papa, nem o Bush, por isso deve ter sido uma gaja.

- Como é que adivinhaste?! Nem parece teu.

- Cala-te mas é, aliás, diz lá quem foi.

- Não é que mereças, mas ainda assim vou-te dizer: a Júlia.

- Ora bem, Júlia... Não posso, A Júlia?!

- Essa mesmo, a femme fatale, a verdadeira e única.

- Depois destes anos todos e de todas as confusões que tu arranjaste como .é que ela se lembrou de te ligar; logo agora?

- Não me perguntes porque para mim ainda é um mistério. Ligou-me ontem e, como deves imaginar, fiquei abananado. Tinha ido até à praia, a minha volta de bicicleta para descomprimir

- E deprimir.

- Para descomprimir e ela ligou. Disse que quer falar comigo.

- Só isso?

- Sim, só isso.

- Nenhum episódio rocambolesco, nenhuma cena de sangue?

- Nada. Mais nada.

- E tu não lhe ligaste de volta nem mandaste mensagens a dizer és o Amor da minha vida?

- Poupa-me a esses sarcasmos de algibeira.

- Isso ficava melhor em inglês; Pocket Sarcasm.

- Pois ficava mas mesmo assim poupa-me.

sábado, 19 de agosto de 2006

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

sexta-feira, 23 de junho de 2006

IP'S

E sempre foi estranha a relação incontida e insuficiente que espreitava entre momentos frequentes. Sempre lhe estivera enraizada na memória a inevitabilidade da proibição da mistura laboral/amorosa.

Os dias eram agradáveis e deixavam, no entanto, algo (muito) a desejar. Olhava para ele com olhos de desejo que combatia com o misto de amoródio.

Joana-Alta, trabalhava na área das finanças. Conhecia Miguel-Moreno, como um número, mais um do rol dos trabalhadores independentes.

Estava inserido nos Livre Pensadores, tudo o que era esperado dele era que pensasse sem recurso a grilhões intelectuais. Podia muito bem ser integrado nos Pensadores Temáticos (cingidos só a um tema de pensamento), bem como nos Micro Pensadores (esmiuçavam o trabalho dos temáticos), ou então nos Pensadores Aleatórios ou brainstormers (todos os dias tinham temas diferentes de modo a que tivessem as ideias mais brilhantes).

Os Psicotécnicos indicaram-no como Livre Pensador por muitas razões sobressaindo uma, a grande quantidade de irídio no sangue.

A concentração de irídio definia a polivalência do indivíduo e Miguel-Alto, tinha-o em enormes quantidades, e não deveria ser contido nas gaiolas da obrigação.

Concentração de irídio no sangue definia possibilidades físicas fora da média, presente nos melhores desportistas.

Joana-Alta, tinha irídio na carteira, em lado nenhum do corpo, só nos acessórios, e não se interessava minimamente pelos Iridas-Positivos – a educação causara-lhe isso.

Uma anomalia financeira na folha de pagamento de Miguel-Moreno, fez com que tudo mudasse.

Amesterdão


Colares de todas as cores e feitios para alegrar as roupas e a alma.

Ainda tivemos tempo para dar umas voltinhas e com a máquina no coldre, qual cowboy qual quê, lá andámos perdidos pelas ruas de Amesterdão. Só apetece clicar a cada momento e vemos o cartão da máquina a ficar com cada vez menos espaço.

Estas fotos foram tiradas no Niewe Markt no Domingo de manhã. Vale muito a pena acordar cedo (mas não assim tão cedo - 8 da manhã e vamos a tempo) e ver as pessoas a montar as banquinhas. São todas muito simpáticas e querem é meter conversa.

Neste mercado simpático, na praça com o mesmo nome, pode-se comprar uma miríade de objectos ligados à decoração ou à cultura, como antiguidades, livros, gravuras, vinis, cd's, acessórios de moda, you name it.

Há para todos os gostos e a preços muito em conta, atrevo-me a dizer que os preços praticados são ainda mais em conta que em Portugal, com a vantagem de os holandeses gaharem mais que nós... Palavras para quê?!


É a 100 é a 100!

Gravuras e mais gravuras, desde publicidade dos anos 20 e 30, aos clássicos... As gravuras do Van Gogh são mais baratas aqui que no Rijks Museum ou no Museu dedicado ao artista, com a vantagem acrescida de estarem amarelados pelo tempo (ninguém vai acreditar que temos o original dos Girassóis, mas velhinho tem mais pinta!).




E a pracinha tem outra vantagem, fica rodeada de canais como este e com entrada directa para o Red Light District!


A entrada para o Red Light District

O Red Light não é o que todos imaginam: putas e vinho verde. No início de um dos nossos projectos conhecemos duas prostitutas que iriam servir de guias para os nossos clientes. São mulheres normalíssimas, bonitas e inteligentes; prostitutas porque gostam e não porque desgostam. Têm uma profissão como outra qualquer, com sindicato e boas condições de trabalho, e sem a hipocrisia que há nas nossas empresas. Uma mulher bonita que trabalhe numa empresa em Portugal ou em qualquer outro sítio do mundo, tem os homens a babar em cima e o objectivo a curto ou longo prazo é saltar-lhe para a cueca - o que não faz parte das suas competências. Estas ao menos sabem para o que vão.




Para um cheirinho da famosa noite de Am'Dam fica a decoração de um bar de seu nome Weber, na Museumplein, com cerveja muito barata (1,60€!) e música de ouvir e chorar por mais!




E ficam as saudades e a promessa que dia 12 de Julho lá estou outra vez!

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Ausência

Depois de prolongada ausência, vou aqui revelar e desvelar o meu paradeiro nos últimos tempos. A trabalho, fui obrigado a rumar a climas menos quentes e nada exóticos, se bem que fantásticos.

Ligam-me para me dizer que tenho que ir para França durante algum tempo e lá vou eu de armas e bagagens para Bruxelas, onde provei algumas cervejas, Lille no dia seguinte, e depois Calais.
Andar de bicicleta e tal, para explorar a área e ficar prontinho para a chegada dos clientes.
Dieta à base de Escargot (caracóis para quem não sabe) e Moules (mexilhões de todas as formas feitios e sabores).
Depois ruma-se à Bélgica, à famosíssima colónia balnear de Oostende e fim de semana no escritório da empresa em Amesterdão, com umas voltas de bicla pela cidade como não podia deixar de ser. Não me perguntem acerca dos coffee shops que eu estava a trabalho.
Volta-se para França, Bélgica e Amesterdão outra vez e está feito.

Uma semana de descanso pró inactivo (meaning sofá e televisão) e faz-se o Caminho de Santiago a pé desde Valença em cinco dias.
Mas isso merece um pouco mais de atenção…
P.s. As fotos que estão no post anterior não têm nada a ver com a Holanda (para que conste)

domingo, 21 de maio de 2006

Ora adivinhem onde estou...

CALAIS

BOULOGNE-SUR-MER


CAP BLANC NEZ

terça-feira, 2 de maio de 2006

New born (parte dois)

O vento começa a arrepiar-me, os póros reagem e expelem os pêlos fazendo-os eriçar como pinheiros nórdicos cercados de neve. Mastigo grãos de areia finos, muito finos e olho com estranheza para os restos da minha refeição: uma casca de banana, um frasco de yogurte líquido que serve de cinzeiro ao suplemento alimentar de seu nome Marlboro.

Meio maço de tabaco em três horas de praia e a parangona de um filme "Me Myself and I"; será de um livro?! Não tenho a certeza nem Google para o comprovar. Passo.

Quatro da tarde e a irrealidade solar escalda-me as ideias convencendo-me a seguir o pequeno trilho por entre as dunas. Nada parece convincente e luto com punhais de prata contra os pensamentos que me invadem aos poucos.

Estilhaços de vida cravam-se na pele devolvendo-me à realidade. O toque de telemóvel já começa a irritar (tenho que o mudar), bem como certas pessoas circulam e circundam a minha carcaça gangrenada como mosquitos à volta de uma lâmpada demasiado luminosa. Desejo, secretamente, que o meu toque as queime, mas para já não é possível; talvez com palavras...

Atendo. Do outro lado, a uma rede nove três de distância, uma voz sobrenatural de cama disseca as palavras.

- Olá Miguel.
Respondo com estranheza e cuspe castanho, defensivo.
- Com quem estou a falar?!
- 10 anos atrás, morena, olhos verdes, perdeste a virgindade comigo.

Lembro o dia a hora, o cheiro, o cadeirão castanho, os livros no chão, a dor transmutada em prazer, a comunhão e todas as lamechices intrínsecas. Recordo o nome.

- Júlia...
- Depois de tantas ainda te lembras... Acho que fico contente com isso, afinal a primeira nunca se esquece.

A história foi complicada mas está bem fresca na minha memória. Sinto a língua entumescida com sabor a Pato Pequim.

- Confesso que me deixaste surpreendido, quase sem palavras e isso é um pouco difícil nowadays.
- Guarda as tuas palavras para depois. O que interessa é que quero ver-te, temos que conversar.

quarta-feira, 19 de abril de 2006

New born

Quando nasceste não eras bonito. Sempre disse que os recém nascidos não são bonitos e de parto natural muito menos. Eras uma bola de carne escura e não tinhas aquele cheiro bom de bebé.

Estavas amassado com a cabeça espalmada e foi estranho saber que eu tinha contribuído para te gerar. Não te consigo explicar a sensação, vais ter que passar por ela para saberes e tudo o que te estou a contar é com um alheamento de escritor, nunca com a presença emocional de um pai.

Gostei de ti desde o primeiro momento em que te vi, toquei, cheirei, exactamente como tinha acontecido com a tua mãe. À nossa volta estavam os teus avós, babados em conformidade com a situação e admiravam a continuidade genética ali deitada no berço. A enfermeira que estava a tratar de ti dizia que tinha os olhos do pai e o nariz da mãe. Eu suspirava e pensava no ridículo da situação, ninguém consegue discernir esses traços só de olhar para um ser tão pequeno, amassado e que só assume as características físicas identificadoras muito mais tarde.

Os teus olhos cinzentos reagiam à luz e pouco mais que isso, no entanto as pessoas diziam “já reconhece a mãe, olha que lindo”.

O engraçado disto tudo é que isto é tudo imaginação minha, afinal eu não estava lá para te ver nascer, para te ver crescer, não acompanhei a tua mãe e se queres saber porquê eu vou-te contar.

terça-feira, 18 de abril de 2006

as palavras que nunca Te direi

Por muito que tente nunca fiquei louco, pelo menos no cânone que rege o resto da humanidade. Sou salubremente regido por uma lei que não se aplica ao resto das pessoas. A quantidade de insanidade que me atinge seria suficiente para deitar abaixo um animal de pequeno porte, todos os humanos que convivem à minha volta, mas a mim… isto é coisa pouca, atinge de raspão e poucas marcas deixa.

Não tenho antídoto para isso, a não ser que se considere a escrita como algo incluso nesta prateleira de boticário.

Muitas vezes tentei chorar, só para saber que não tinha essa capacidade; que estava seco como um pequeno deserto, que nada brotaria da minha nascente, pouco importa. Não sou insensível nem nada que se assemelhe, sou eu igual a mim e a ninguém que conheço, no entanto não me sinto mais forte por ser assim (muito menos fraco).

Não te conhecia mas sinto que já tinha conversado milhões de vezes contigo; nunca te tinha visto mas a tua face transparece familiaridade a cada sorriso ou expressão mais carregada.

Apaixonei-me por letras tuas que aos poucos me iam preenchendo bocadinhos, lacunas que cá estavam. Desde miúdo que sempre li muito, que os meus amigos e paixões foram os livros, naqueles momentos em que me sentia mais só eles socorriam-me, os meus amigos imaginários, reais, que cheiravam a papel e ainda hoje cheiram… a recordação que tenho deles é o cheiro e o lugar na prateleira para aqueles que nunca comprei (amigos não se compram, conquistam-se) …

O mesmo se passa com as nossas relações especiais… há pessoas que nos conquistam inexplicavelmente de um dia para o outro, sem que percebamos porquê nem como: descobrimos que já conhecemos o seu cheiro como livro e que era uma história que estávamos à espera de ler.

Abrimos o livro e encontrámos palavras familiares, de uma vida que é nossa mas não é de hoje. Conheço-te não sei de onde mas reconheço-te.

Tenho força para isto e muito mais, não são só palavras escritas, são sentidas e declamadas com fogo, cor e muito vermelho e cheiro à mistura.

Ronrono só de pensar.

note that a cApital is use to emphasize a diviNity or someone similAr.

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Biclas II


Bem me avisaram que ali havia um buraco!



Candeia que vai à frente ilumina duas vezes!

Ora bem... Na boa tradição da Páscoa, fomos ao "Lava Pés".

Mais uma voltinha de bicicleta, desta vez com mais meia hora. Comecei com uma revisão cuidada à bicla e depois vamos lá que se faz tarde. Fomos mais numa onda de vamos por aqui a ver o que isto dá.

Chegámos ao rio Neiva e aconteceu o primeiro percalço: Asfalto na água (até tive medo que fosse com a enxurrada). - Consultar imagem 1.

Pude exercitar a minha expressão favorita: "Eu bem te avisei".

Mais ou menos 45 minutos depois, ia eu à frente e resolvi arriscar tudo e meter-me no lago: toca a espremer as meias e rir. - Consultar imagem 2

Entretanto planeámos uma coisa mais extensa, ir até Vila Verde, a muitos quilómetros da nossa "home base" e vir por aí abaixo a ver as azenhas.

É que é sempre bom ver o que de bonito temos por cá, até nos esquecemos de alguns ex libris.

Conclusão, vamos tentar andar de bicla várias vezes por semana e sobreviver com os pés secos.
Inscrições para futuras cirandagens aqui ou aqui.

A foto relativa ao NoAsfalto foi censurada por vontade do protagonista.

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Biclas

Ora bem, o bom tempo voltou, por uns momentos, e com ele a vontade de fazer exercício. Eu e o companheiro No Asfalto, já nos vamos queixando da falta de combustão nos músculos e resolvemos pegar nas biclas e fazer-nos à estrada e ao monte.

Isto tem muito que se diga, nem é assim tão fácil como isso, e quando estamos com meio pé nos 30 as coisas deixam de ser como eram.

Havia duas alternativas de percurso, a subir ou a descer; é claro que escolhemos a subir porque no fim quando estamos mais cansados é sempre a descer e como a neste sentido todo o panteão dos canonizados ajuda, lá fomos.

800 metros depois, os pulmões, e o coração rebentavam e fizemos a primeira paragem com imprecações como "porque raio é que não vivemos na Holanda ou em Barcelona", "porque é que não há descidas nesta p#$% desta terra!".

Até há uns tempos atrás podíamos estar imenso tempo sem fazer exercício que tudo estava bem, pegávamos na bicla como se não fosse nada, agora a idade, o tabaco e o castrol pesam e de que maneira.

Já mais lá para a frente, dois ou três quilometros depois, começámos a descer e aí começou a diversão, saltos, solavancos e muita muita lama. Feliz ideia a minha de levar t-shirt branca, ficou castanha!

Quando erámos miúdos levávamos uma rabecada das mamãs por chegar todos enlameados a casa e agora elas até acham piada. É uma das vantagens da idade, poder fazer o que fazíamos em putos sem queixas ou recriminações das progenitoras.
Conclusão filosófica possível: na altura não havia máquinas de lavar roupa aos pontapés.

Depois desta reflexão, cheguei à conclusão que devo comprar uma bicicleta nova, o pedal direito não está nada saudável, ameaça sair a cada pedalada.

Fotografias tiradas ao depois da aventura, e toca a descer para o ponto de partida numa descida vertiginosa e convidativa à velocidade.
Uma hora depois da saída lá estávamos nós no tasco a beber uma água e a desgarrar mais alguns elementos castrólicos para a próxima voltinha que será um dia destes, quando não nos lembramos das dores no corpo.

Quem disse que a vida saudável era boa estava enganado.
Duas cervejas para a mesa 1 por favor!

Números:
15 km's mais ou menos;
10 fotografias;
7 paragens;
95 subidas, uma recta e 3 descidas;
7425 solavancos;
23 apertanços no pedal;
453672 salpicos de lama na roupa e na boca;
1 hora em cima da bicla.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

1º caso de Gripe das Aves no Norte!

Miguel de Terceleiros - Correspondente.

Sexta-Feira passada a pacata Vila de Forjães, concelho de Esposende, acordou em sobressalto, quando uma galinha apareceu morta em circunstâncias algo suspeitas.

O espécime foi encontrado com uma corda ao pescoço pendurada na porta Norte da Igreja da referida Vila.
Uma missiva foi encontrada horas depois na tarimba da vítima dizendo o seguinte:

Adeus mundo cruel. Descobri agora que tenho a Vogel Grip (que é como quem diz gripe das aves) e vou pôr termo à minha vida.

A equipa do CSI - Vila Chã entrou em campo e reconstituiu o crime. "A vítima dirigiu-se à igreja para receber os últimos sacramentos e vendo a porta fechada resolveu enforcar-se ali mesmo. Ainda andámos à procura do cúmplice, porque uma galinha não se consegue enforcar sem ajuda." comentou José Batana, o criminalista de serviço.

Fontes próximas da vítima declararam que esta ficou inconsolável quando lhe foi diagnosticada a terrível doença.

Estão afastadas, para já, todas as suspeitas de uma cabala relacionada com queijos limianos e um grupo terrorista chamado Hamens.