The one with the chicken pox
2ª série, Episódio 23
Argumento Brown Mandell
Realização Michael Lembeck
Special guest stars: Tom Seleck and Charlie Sheen
Olhem só para o nosso Porto Ramos Pinto a correr mundo!
Red Willow Riders - Valerie Graves
Uma porta bem conhecida!
Cinco troncos de pinheiro nórdico, três pessoas e uma pedra de granito, maciça, com o tamanho aproximado de sete portas. Não sabemos muito bem se portas de gaiolas de canários, de portas de casa ou de catedral; não sabemos.
Sabemos que são precisos três homens e cinco troncos de pinheiro nórdico para mover a pedra de granito, talvez por ser maciça.
Os três homens trabalham afincadamente, há cerca de nove anos, transportando a pedra para uma direcção que lhes é transmitida todos os dias. Tanto quanto sabem, até podem estar a andar às voltas com a pedra; é perfeitamente natural que depois de um mês de direcções diárias, as voltas fiquem trocadas e voltem, não ao ponto de partida, mas a um local bem próximo deste.
No passado dia 3 de Outubro a tartaruga Shellie fugiu de casa nas Ilhas Galápagos e anda desaparecida desde então.
Fontes próximas da fugitiva indicaram-nos que as razões para a fuga do réptil foram os maus-tratos infligidos pelo pai. As mesmas fontes declararam que várias vezes “assisti a violentas sovas. O pai pegava num ramo de palmeira e fustigava violentamente a pobre Shellie nas costas, mas nunca na cabeça ou membros”. Declararam também que o pai nunca infringiu o código de honra que declina:”nunca batas no que pensa e no que produz” evitando bater na cabeça e nos membros.
É possível que Shellie tenha sido levada por maus caminhos, já que faz parte de um grupo radical chamado Shell Angels.
Apresenta uma tatuagem no dorso, facilmente reconhecível.
Se tiver alguma informação que nos permita conhecer o paradeiro de Shellie, não hesite em contactar-nos através dos comentários deste Blog ou pelo email.
E sempre foi estranha a relação incontida e insuficiente que espreitava entre momentos frequentes. Sempre lhe estivera enraizada na memória a inevitabilidade da proibição da mistura laboral/amorosa.
Os dias eram agradáveis e deixavam, no entanto, algo (muito) a desejar. Olhava para ele com olhos de desejo que combatia com o misto de amoródio.
Joana-Alta, trabalhava na área das finanças. Conhecia Miguel-Moreno, como um número, mais um do rol dos trabalhadores independentes.
A concentração de irídio definia a polivalência do indivíduo e Miguel-Alto, tinha-o em enormes quantidades, e não deveria ser contido nas gaiolas da obrigação.
Concentração de irídio no sangue definia possibilidades físicas fora da média, presente nos melhores desportistas.
Joana-Alta, tinha irídio na carteira, em lado nenhum do corpo, só nos acessórios, e não se interessava minimamente pelos Iridas-Positivos – a educação causara-lhe isso.
Uma anomalia financeira na folha de pagamento de Miguel-Moreno, fez com que tudo mudasse.
Quando nasceste não eras bonito. Sempre disse que os recém nascidos não são bonitos e de parto natural muito menos. Eras uma bola de carne escura e não tinhas aquele cheiro bom de bebé.
Estavas amassado com a cabeça espalmada e foi estranho saber que eu tinha contribuído para te gerar. Não te consigo explicar a sensação, vais ter que passar por ela para saberes e tudo o que te estou a contar é com um alheamento de escritor, nunca com a presença emocional de um pai.
Gostei de ti desde o primeiro momento em que te vi, toquei, cheirei, exactamente como tinha acontecido com a tua mãe. À nossa volta estavam os teus avós, babados em conformidade com a situação e admiravam a continuidade genética ali deitada no berço. A enfermeira que estava a tratar de ti dizia que tinha os olhos do pai e o nariz da mãe. Eu suspirava e pensava no ridículo da situação, ninguém consegue discernir esses traços só de olhar para um ser tão pequeno, amassado e que só assume as características físicas identificadoras muito mais tarde.
Os teus olhos cinzentos reagiam à luz e pouco mais que isso, no entanto as pessoas diziam “já reconhece a mãe, olha que lindo”.
O engraçado disto tudo é que isto é tudo imaginação minha, afinal eu não estava lá para te ver nascer, para te ver crescer, não acompanhei a tua mãe e se queres saber porquê eu vou-te contar.
Por muito que tente nunca fiquei louco, pelo menos no cânone que rege o resto da humanidade. Sou salubremente regido por uma lei que não se aplica ao resto das pessoas. A quantidade de insanidade que me atinge seria suficiente para deitar abaixo um animal de pequeno porte, todos os humanos que convivem à minha volta, mas a mim… isto é coisa pouca, atinge de raspão e poucas marcas deixa.
Não tenho antídoto para isso, a não ser que se considere a escrita como algo incluso nesta prateleira de boticário.
Muitas vezes tentei chorar, só para saber que não tinha essa capacidade; que estava seco como um pequeno deserto, que nada brotaria da minha nascente, pouco importa. Não sou insensível nem nada que se assemelhe, sou eu igual a mim e a ninguém que conheço, no entanto não me sinto mais forte por ser assim (muito menos fraco).
Não te conhecia mas sinto que já tinha conversado milhões de vezes contigo; nunca te tinha visto mas a tua face transparece familiaridade a cada sorriso ou expressão mais carregada.
Apaixonei-me por letras tuas que aos poucos me iam preenchendo bocadinhos, lacunas que cá estavam. Desde miúdo que sempre li muito, que os meus amigos e paixões foram os livros, naqueles momentos em que me sentia mais só eles socorriam-me, os meus amigos imaginários, reais, que cheiravam a papel e ainda hoje cheiram… a recordação que tenho deles é o cheiro e o lugar na prateleira para aqueles que nunca comprei (amigos não se compram, conquistam-se) …
O mesmo se passa com as nossas relações especiais… há pessoas que nos conquistam inexplicavelmente de um dia para o outro, sem que percebamos porquê nem como: descobrimos que já conhecemos o seu cheiro como livro e que era uma história que estávamos à espera de ler.
Abrimos o livro e encontrámos palavras familiares, de uma vida que é nossa mas não é de hoje. Conheço-te não sei de onde mas reconheço-te.
Tenho força para isto e muito mais, não são só palavras escritas, são sentidas e declamadas com fogo, cor e muito vermelho e cheiro à mistura.
Ronrono só de pensar.
note that a cApital is use to emphasize a diviNity or someone similAr.