terça-feira, 29 de agosto de 2006
sexta-feira, 25 de agosto de 2006
New Born (parte três)
New Born (parte dois)
- Qualquer pessoa que saiba bater com a língua nos dentes sabe disso.
- Isso é uma forma encapuçada de ironia, ou estou enganado?
- Não é uma forma de ironia, só estou a dizer que devias dar mais atenção a essas coisas. Passas a vida a queixar-te que ninguém te liga e no entanto és tu que mais contribuis para isso. A tua vida sempre foi uma maré, a única diferença é que não tem ciclos de seis horas.
- Mas isso não vem ao caso. Não era disso que estavamos a falar. Tens a mania de me interromper com essas considerações existencialistas, clínicas e dissectivas da minha personalidade e depois não consigo contar-te aquilo que me vai assombrando a existência.
- Coitadinho do menino, não o deixam falar... Essa linguagem pseudo dá-me vontade de rir. Porque não usas termos simples; porque é que passas a vida a usar palavras que são desnecessárias? Se fosses mais simplista, é provável que os teus grandes dramas se transformassem em comédia ou situações banais.
- Achas mesmo que sou assim dramático?
- Tenho a certeza absoluta. Conheço-te há tempo demais para saber disso, ou melhor, intuir. Sei que inventas estas situações para te sentires pior do que devias; pensas que assim consegues manter o cérebro activo, quando no fundo é mais simples ler Nietsche.
- Pronto, és capaz de ter razão mas como já te disse isso não interessa. Sabes quem é que me telefonou?!
- Ora deixa-me adivinhar... Não foi o Papa, nem o Bush, por isso deve ter sido uma gaja.
- Como é que adivinhaste?! Nem parece teu.
- Cala-te mas é, aliás, diz lá quem foi.
- Não é que mereças, mas ainda assim vou-te dizer: a Júlia.
- Ora bem, Júlia... Não posso, A Júlia?!
- Essa mesmo, a femme fatale, a verdadeira e única.
- Depois destes anos todos e de todas as confusões que tu arranjaste como .é que ela se lembrou de te ligar; logo agora?
- Não me perguntes porque para mim ainda é um mistério. Ligou-me ontem e, como deves imaginar, fiquei abananado. Tinha ido até à praia, a minha volta de bicicleta para descomprimir
- E deprimir.
- Para descomprimir e ela ligou. Disse que quer falar comigo.
- Só isso?
- Sim, só isso.
- Nenhum episódio rocambolesco, nenhuma cena de sangue?
- Nada. Mais nada.
- E tu não lhe ligaste de volta nem mandaste mensagens a dizer és o Amor da minha vida?
- Poupa-me a esses sarcasmos de algibeira.
- Isso ficava melhor em inglês; Pocket Sarcasm.
- Pois ficava mas mesmo assim poupa-me.
sábado, 19 de agosto de 2006
quarta-feira, 9 de agosto de 2006
sexta-feira, 23 de junho de 2006
IP'S
E sempre foi estranha a relação incontida e insuficiente que espreitava entre momentos frequentes. Sempre lhe estivera enraizada na memória a inevitabilidade da proibição da mistura laboral/amorosa.
Os dias eram agradáveis e deixavam, no entanto, algo (muito) a desejar. Olhava para ele com olhos de desejo que combatia com o misto de amoródio.
Joana-Alta, trabalhava na área das finanças. Conhecia Miguel-Moreno, como um número, mais um do rol dos trabalhadores independentes.
A concentração de irídio definia a polivalência do indivíduo e Miguel-Alto, tinha-o em enormes quantidades, e não deveria ser contido nas gaiolas da obrigação.
Concentração de irídio no sangue definia possibilidades físicas fora da média, presente nos melhores desportistas.
Joana-Alta, tinha irídio na carteira, em lado nenhum do corpo, só nos acessórios, e não se interessava minimamente pelos Iridas-Positivos – a educação causara-lhe isso.
Uma anomalia financeira na folha de pagamento de Miguel-Moreno, fez com que tudo mudasse.
Amesterdão
Colares de todas as cores e feitios para alegrar as roupas e a alma.
Estas fotos foram tiradas no Niewe Markt no Domingo de manhã. Vale muito a pena acordar cedo (mas não assim tão cedo - 8 da manhã e vamos a tempo) e ver as pessoas a montar as banquinhas. São todas muito simpáticas e querem é meter conversa.
Neste mercado simpático, na praça com o mesmo nome, pode-se comprar uma miríade de objectos ligados à decoração ou à cultura, como antiguidades, livros, gravuras, vinis, cd's, acessórios de moda, you name it.
Há para todos os gostos e a preços muito em conta, atrevo-me a dizer que os preços praticados são ainda mais em conta que em Portugal, com a vantagem de os holandeses gaharem mais que nós... Palavras para quê?!
A entrada para o Red Light District
E ficam as saudades e a promessa que dia 12 de Julho lá estou outra vez!
segunda-feira, 19 de junho de 2006
Ausência
Ligam-me para me dizer que tenho que ir para França durante algum tempo e lá vou eu de armas e bagagens para Bruxelas, onde provei algumas cervejas, Lille no dia seguinte, e depois Calais.
Andar de bicicleta e tal, para explorar a área e ficar prontinho para a chegada dos clientes.
Dieta à base de Escargot (caracóis para quem não sabe) e Moules (mexilhões de todas as formas feitios e sabores).
Depois ruma-se à Bélgica, à famosíssima colónia balnear de Oostende e fim de semana no escritório da empresa em Amesterdão, com umas voltas de bicla pela cidade como não podia deixar de ser. Não me perguntem acerca dos coffee shops que eu estava a trabalho.
Volta-se para França, Bélgica e Amesterdão outra vez e está feito.
Uma semana de descanso pró inactivo (meaning sofá e televisão) e faz-se o Caminho de Santiago a pé desde Valença em cinco dias.
Mas isso merece um pouco mais de atenção…
domingo, 21 de maio de 2006
terça-feira, 2 de maio de 2006
New born (parte dois)
Meio maço de tabaco em três horas de praia e a parangona de um filme "Me Myself and I"; será de um livro?! Não tenho a certeza nem Google para o comprovar. Passo.
Quatro da tarde e a irrealidade solar escalda-me as ideias convencendo-me a seguir o pequeno trilho por entre as dunas. Nada parece convincente e luto com punhais de prata contra os pensamentos que me invadem aos poucos.
Estilhaços de vida cravam-se na pele devolvendo-me à realidade. O toque de telemóvel já começa a irritar (tenho que o mudar), bem como certas pessoas circulam e circundam a minha carcaça gangrenada como mosquitos à volta de uma lâmpada demasiado luminosa. Desejo, secretamente, que o meu toque as queime, mas para já não é possível; talvez com palavras...
Atendo. Do outro lado, a uma rede nove três de distância, uma voz sobrenatural de cama disseca as palavras.
- Olá Miguel.
Respondo com estranheza e cuspe castanho, defensivo.
- Com quem estou a falar?!
- 10 anos atrás, morena, olhos verdes, perdeste a virgindade comigo.
Lembro o dia a hora, o cheiro, o cadeirão castanho, os livros no chão, a dor transmutada em prazer, a comunhão e todas as lamechices intrínsecas. Recordo o nome.
- Júlia...
- Depois de tantas ainda te lembras... Acho que fico contente com isso, afinal a primeira nunca se esquece.
A história foi complicada mas está bem fresca na minha memória. Sinto a língua entumescida com sabor a Pato Pequim.
- Confesso que me deixaste surpreendido, quase sem palavras e isso é um pouco difícil nowadays.
- Guarda as tuas palavras para depois. O que interessa é que quero ver-te, temos que conversar.
quarta-feira, 19 de abril de 2006
New born
Quando nasceste não eras bonito. Sempre disse que os recém nascidos não são bonitos e de parto natural muito menos. Eras uma bola de carne escura e não tinhas aquele cheiro bom de bebé.
Estavas amassado com a cabeça espalmada e foi estranho saber que eu tinha contribuído para te gerar. Não te consigo explicar a sensação, vais ter que passar por ela para saberes e tudo o que te estou a contar é com um alheamento de escritor, nunca com a presença emocional de um pai.
Gostei de ti desde o primeiro momento em que te vi, toquei, cheirei, exactamente como tinha acontecido com a tua mãe. À nossa volta estavam os teus avós, babados em conformidade com a situação e admiravam a continuidade genética ali deitada no berço. A enfermeira que estava a tratar de ti dizia que tinha os olhos do pai e o nariz da mãe. Eu suspirava e pensava no ridículo da situação, ninguém consegue discernir esses traços só de olhar para um ser tão pequeno, amassado e que só assume as características físicas identificadoras muito mais tarde.
Os teus olhos cinzentos reagiam à luz e pouco mais que isso, no entanto as pessoas diziam “já reconhece a mãe, olha que lindo”.
O engraçado disto tudo é que isto é tudo imaginação minha, afinal eu não estava lá para te ver nascer, para te ver crescer, não acompanhei a tua mãe e se queres saber porquê eu vou-te contar.
terça-feira, 18 de abril de 2006
as palavras que nunca Te direi
Por muito que tente nunca fiquei louco, pelo menos no cânone que rege o resto da humanidade. Sou salubremente regido por uma lei que não se aplica ao resto das pessoas. A quantidade de insanidade que me atinge seria suficiente para deitar abaixo um animal de pequeno porte, todos os humanos que convivem à minha volta, mas a mim… isto é coisa pouca, atinge de raspão e poucas marcas deixa.
Não tenho antídoto para isso, a não ser que se considere a escrita como algo incluso nesta prateleira de boticário.
Muitas vezes tentei chorar, só para saber que não tinha essa capacidade; que estava seco como um pequeno deserto, que nada brotaria da minha nascente, pouco importa. Não sou insensível nem nada que se assemelhe, sou eu igual a mim e a ninguém que conheço, no entanto não me sinto mais forte por ser assim (muito menos fraco).
Não te conhecia mas sinto que já tinha conversado milhões de vezes contigo; nunca te tinha visto mas a tua face transparece familiaridade a cada sorriso ou expressão mais carregada.
Apaixonei-me por letras tuas que aos poucos me iam preenchendo bocadinhos, lacunas que cá estavam. Desde miúdo que sempre li muito, que os meus amigos e paixões foram os livros, naqueles momentos em que me sentia mais só eles socorriam-me, os meus amigos imaginários, reais, que cheiravam a papel e ainda hoje cheiram… a recordação que tenho deles é o cheiro e o lugar na prateleira para aqueles que nunca comprei (amigos não se compram, conquistam-se) …
O mesmo se passa com as nossas relações especiais… há pessoas que nos conquistam inexplicavelmente de um dia para o outro, sem que percebamos porquê nem como: descobrimos que já conhecemos o seu cheiro como livro e que era uma história que estávamos à espera de ler.
Abrimos o livro e encontrámos palavras familiares, de uma vida que é nossa mas não é de hoje. Conheço-te não sei de onde mas reconheço-te.
Tenho força para isto e muito mais, não são só palavras escritas, são sentidas e declamadas com fogo, cor e muito vermelho e cheiro à mistura.
Ronrono só de pensar.
note that a cApital is use to emphasize a diviNity or someone similAr.
sexta-feira, 7 de abril de 2006
Biclas II
Bem me avisaram que ali havia um buraco!
Candeia que vai à frente ilumina duas vezes!
Mais uma voltinha de bicicleta, desta vez com mais meia hora. Comecei com uma revisão cuidada à bicla e depois vamos lá que se faz tarde. Fomos mais numa onda de vamos por aqui a ver o que isto dá.
Chegámos ao rio Neiva e aconteceu o primeiro percalço: Asfalto na água (até tive medo que fosse com a enxurrada). - Consultar imagem 1.
Pude exercitar a minha expressão favorita: "Eu bem te avisei".
Mais ou menos 45 minutos depois, ia eu à frente e resolvi arriscar tudo e meter-me no lago: toca a espremer as meias e rir. - Consultar imagem 2
Entretanto planeámos uma coisa mais extensa, ir até Vila Verde, a muitos quilómetros da nossa "home base" e vir por aí abaixo a ver as azenhas.
É que é sempre bom ver o que de bonito temos por cá, até nos esquecemos de alguns ex libris.
Conclusão, vamos tentar andar de bicla várias vezes por semana e sobreviver com os pés secos.
Inscrições para futuras cirandagens aqui ou aqui.
A foto relativa ao NoAsfalto foi censurada por vontade do protagonista.
quarta-feira, 5 de abril de 2006
Biclas
Isto tem muito que se diga, nem é assim tão fácil como isso, e quando estamos com meio pé nos 30 as coisas deixam de ser como eram.
Havia duas alternativas de percurso, a subir ou a descer; é claro que escolhemos a subir porque no fim quando estamos mais cansados é sempre a descer e como a neste sentido todo o panteão dos canonizados ajuda, lá fomos.
800 metros depois, os pulmões, e o coração rebentavam e fizemos a primeira paragem com imprecações como "porque raio é que não vivemos na Holanda ou em Barcelona", "porque é que não há descidas nesta p#$% desta terra!".
Até há uns tempos atrás podíamos estar imenso tempo sem fazer exercício que tudo estava bem, pegávamos na bicla como se não fosse nada, agora a idade, o tabaco e o castrol pesam e de que maneira.
Já mais lá para a frente, dois ou três quilometros depois, começámos a descer e aí começou a diversão, saltos, solavancos e muita muita lama. Feliz ideia a minha de levar t-shirt branca, ficou castanha!
Quando erámos miúdos levávamos uma rabecada das mamãs por chegar todos enlameados a casa e agora elas até acham piada. É uma das vantagens da idade, poder fazer o que fazíamos em putos sem queixas ou recriminações das progenitoras.
Conclusão filosófica possível: na altura não havia máquinas de lavar roupa aos pontapés.
Depois desta reflexão, cheguei à conclusão que devo comprar uma bicicleta nova, o pedal direito não está nada saudável, ameaça sair a cada pedalada.
Fotografias tiradas ao depois da aventura, e toca a descer para o ponto de partida numa descida vertiginosa e convidativa à velocidade.
Uma hora depois da saída lá estávamos nós no tasco a beber uma água e a desgarrar mais alguns elementos castrólicos para a próxima voltinha que será um dia destes, quando não nos lembramos das dores no corpo.
Quem disse que a vida saudável era boa estava enganado.
Duas cervejas para a mesa 1 por favor!
Números:
15 km's mais ou menos;
10 fotografias;
7 paragens;
95 subidas, uma recta e 3 descidas;
7425 solavancos;
23 apertanços no pedal;
453672 salpicos de lama na roupa e na boca;
1 hora em cima da bicla.
segunda-feira, 3 de abril de 2006
1º caso de Gripe das Aves no Norte!
Sexta-Feira passada a pacata Vila de Forjães, concelho de Esposende, acordou em sobressalto, quando uma galinha apareceu morta em circunstâncias algo suspeitas.
O espécime foi encontrado com uma corda ao pescoço pendurada na porta Norte da Igreja da referida Vila.
Uma missiva foi encontrada horas depois na tarimba da vítima dizendo o seguinte:
Adeus mundo cruel. Descobri agora que tenho a Vogel Grip (que é como quem diz gripe das aves) e vou pôr termo à minha vida.
A equipa do CSI - Vila Chã entrou em campo e reconstituiu o crime. "A vítima dirigiu-se à igreja para receber os últimos sacramentos e vendo a porta fechada resolveu enforcar-se ali mesmo. Ainda andámos à procura do cúmplice, porque uma galinha não se consegue enforcar sem ajuda." comentou José Batana, o criminalista de serviço.
Fontes próximas da vítima declararam que esta ficou inconsolável quando lhe foi diagnosticada a terrível doença.
Estão afastadas, para já, todas as suspeitas de uma cabala relacionada com queijos limianos e um grupo terrorista chamado Hamens.
quinta-feira, 23 de março de 2006
Catalunha I
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006
Catalunha!
Toca-me o telefone e vejo o toque mágico das holandas:
- Hello Ricardo, this is Miranne from (empresa que não posso dizer o nome).
Eu já sabia que me ia ligar, era uma questão de tempo. Tínhamos que combinar os detalhes para o trabalho que se avizinha.
- Olha, já cá tenho os teus dados para marcar o voo para Barcelona, só me falta mesmo saber de onde queres voar.
- De Copenhaga, pode ser?
- Copenhaga, estás em Copenhaga?
- Claro que não! Sabes muito bem que voo sempre do Porto, não percebo é porque me estás a fazer essa pergunta.
- Desculpa, foi mesmo uma pergunta estúpida.
Bem, o que é certo é que na terça-feira de manhã tenho um voo marcado para Barcelona e vou estar um mês sem poder actualizar este panegírico de realidades alternativas.
Mais ainda, façam o favor de não me enviar mails que eu não respondo; para onde vou não tenho acesso à internet, por isso até à minha volta cerca de 18 de Março.
Até à minha volta!
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006
5
5 Traços de Personalidade (Nem sei se tenho isto)
1 - Sou completamente impulsivo (se me apetecer tirar a roupa toda no Sudoeste é isso que faço!)
2 - Sou louco (Para escrever as coisas que escrevo só posso ser)
3 - Sincero (quando posso e me deixam - Não gosto nada que me convidem para cadeias!)
4 - Carinhoso para quem merece FDP para quem merece!
5 - Esquizofrénico assumido (as pessoas não sabem se devem rir ou chorar com as coisas que digo)
5 Hábitos estranhos
1 - Enrolar a pratinha do tabaco com o plástico - Sempre!
2 - Acordar a resmungar (quando não acompanhado pela companhia certa)
3 - Beber sempre cerveja pela garrafa (à trolha!)
4 - Insistir em ter objectos que não funcionam (como o meu Zippo)
5 - Alinhar em cenas de cadeia embora choquem com a minha religião!
5 desgraçados a quem vou passar isto:
Posso ficar cem anos sem dar uma mas não passo a ninguém!
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006
Portugal em Coma Profundo #2 O Comboio
Tem espaço para as pernas (os autocarros são feitos para anões, eu com o meu metro e oitenta e um vejo-me desgraçado para caber naquele espaço), dá para esticar as pernas, para ler, para fumar um cigarro (já deu, agora é proibido) e não há perigo de um qualquer condutor provocar um acidente, afinal é só manter a máquina dentro dos carris.
Podemos conhecer montes de pessoas, é muito fácil, em especial naqueles que tem os bancos virados uns para os outros. Olha-se com interesse para a pessoa da frente, diz-se “ah e tal parece que vai chover” e passado pouco já se arranjou companhia.
Há uma espécie que é indissociável dos comboios, devido às tarifas reduzidas, os militares, vulgo “tropas”. Pelas histórias que ouço do meu pai (que foi paraquedista) no tempo dele é que era: porrada entre marinha e paraquedistas, feijões verdes (infantaria), era uma festa. Até combinavam. Agora hoje…
Já há uns anos que viajo de comboio e há coisas que não mudam. Os militares são uma coisa à parte. Andam sempre em rebanho, carregados de tralha e onde entram acabam logo com o sossego do resto das pessoas.
Sempre acreditei que só os cristãos novos é que podiam ir para a tropa porque afinal tem todos nomes de objectos. Tratam-se todos pelo apelido Oliveira, Castanheira, Silva, Laranjeira, Fogareiro. Nunca conheci nenhum tropa chamado Telles de Menezes, Marialva, Alenquer, o que me faz pensar que só a raia miúda é que vai cumprir o serviço militar. Os mancebos com nome mais elaborado vão logo para oficiais. Tenho a secreta certeza que é para não melindrar os instrutores.
Olhem lá se eu fosse para a tropa, dois minutos depois estava toda a gente a rir-se à gargalhada com as tentativas frustradas do senhor instrutor dizer o meu nome:
- Ó Treceleirus!
- Terceleiros meu primeiro.
- Ou isso.
Já para não falar dos serviços administrativos (ehehehehhe).
Outra coisa que me faz confusão: “Sim meu primeiro”. Primeiro quê? O primeiro a comer na cantina, o primeiro a mandar toda a gente fazer 3564 flexões?! Não percebo.
Também se dedicam a insultar e a ameaçar os superiores lá da caserna:
“Se apanho o sargento Tainha num canto escuro limpo-lhe o sebo, aquele filho da puta!”. Tudo em vão, parece que faz parte da cartilha dos recos.
A idade conta, estão naquela fase em que as hormonas começam a ficar irrequietas, graças a isto, têm a genitália muito perto da boca e cá vai aço. Uma rapariga que se encontre entre os 15 e os 30 e poucos é logo alvo de uma tentativa de graça (invariavelmente é desgraça), cá vem o galanteio fácil. Atrevo-me a dizer mais, basta ser uma mulher para os senhores se porem logo com coisas. Se por acaso a menina tiver uma saia com uma racha mais perto da homónima, a hipótese da qualidade e quantidade de bocas, centuplica. Note-se que é neste momento que estes senhores se parecem mais com lobos, atacam sempre em alcateia, um sozinho não se atreve a abrir a boca.
A seguir vem a praga dos telemóveis. Sempre que sai um modelo novo, lá vem eles comparar, toques, wallpapers, fotografias, enfim tudo. O militar é especialmente apto em relação a este tipo de equipamento. Conhecem tão bem todas as suas funcionalidades como conhecem a sua G3. Estou convencido que eles são os principais e únicos clientes dos 3939, 4002 e 6969.
“Envia ração de combate para o 4343 e receberás wallpapers camuflados no teu telemóvel”.
O tempo faz com que as coisas mudem um pouco. A nova moda são os computadores portáteis. De início é comprado para descarregar as fotos 41x41 pixel do telemóvel. Depois começam a comprar acessórios, pen drive, microfone, impressora, rato sem fios, gravador externo de DVD, placa wireless de infravermelhos para não usar cabos a passar as fotos… You name it!
Tudo isto é patrocinado pelo finório lá do quartel, o primeiro-cabo Azevinho, que só não vende a mãe porque ainda não encontrou o recibo.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006
Rua 5
Passavam a vida a rir e eram felizes com a vida que tinham.
Ela gabava-lhe a inteligência e ele gabava-lhe o corpo. Valera a pena a espera, o troféu por que tanto esperara estava ali nos seus braços, para sempre, pelo menos julgava ele. Mas o ser humano é um ser muito estranho e toda aquela felicidade começou a fazer-lhe confusão. Voltou aos seus antigos contactos e começou a sair à noite.
Na altura o Grupo frequentava um dos mais conhecidos tascos da cidade.