quarta-feira, 16 de novembro de 2005

Platobot


Vem daqui

Algures num laboratório de engenharia de sistemas informáticos

- Acho que temos que modificar um pouco as emoções disto.

- Explica lá isso.

- Bem, eu acho que temos que ser mais específicos. Acho que podíamos aliar ao comportamento do robot mais alguma coisa.

- Estás a ser muito vago.

- Não há dúvida que o algoritmo está a funcionar mais, mas os utilizadores pedem um pouco mais. Não vês a insatisfação deles. O programa reconheceu que chega uma altura que o platonismo não chega. Tem que ser calibrado com alguns estímulos visuais ou então a pessoa do outro lado vai desistir.

- Achas que sim?!

- Claro que sim. Vê lá: se estiveres a ser seduzido por alguém e ficares pelo beicinho mas não chega a acontecer nada de físico o que é que tu fazes?

- Salto fora e parto para outra. É tão simples como isso.

- Pois. Agora vê. O algoritmo identifica as emoções das pessoas nas palavras escritas, depura-as e descodifica-as com a inteligência artificial, criando uma resposta automática que faça com que o cliente fique “agarrado” e continue a escrever. Tudo muito bem até um certo ponto.

Temos dois tipos de pessoas: as que gostam deste tipo de relação sem nome, sem cara, sem sofrimento directo e ficam dependentes; as que gostam deste tipo de jogo mas quando não tem os estímulos necessários fazem como tu e partem para outra.

O tipo 1 (chamemos-lhe assim) está garantido, há-de continuar embeiçado e cliente; o tipo 2 não porque se cansa e eventualmente desistirá.

Ora para agarrar o tipo 2 temos que ir além do que já temos, e no fundo temos os recursos. Se conectarmos o platobot ao ibot, partilhamos a base de dados conseguindo prolongar a dependência.

- Estou a perceber, mas como tencionas conectar os dois, que resultados esperas?

- Se criarmos um algoritmo que descodifique as preferências estéticas dos utilizadores, podemos criar uma imagem no ibot da pessoa que escreve os mail’s e consequentemente estimular a retina dos utilizadores. Pelo menos já não é um fantasma, uma máquina, uma coisa sem cara.

- Achas que a base de dados geral tem a informação necessária?! É necessário um volume de informação brutal para criar uma imagem satisfatória. O hedonismo não se contenta com pouca coisa.

- A base de dados pode estar incompleta mas não te esqueças que o platobot de cada vez que envia uma mensagem introduz um trojan no mail do receptor e varre todos os mail’s, catalogando toda a informação. Como todos tem servidores de mail com mais de 2 gb de espaço guardam lá toda a informação, pessoal, profissional, you name it.

O que precisamos de fazer agora é mandá-lo filtrar conteúdos emocionais dos outros mail’s que não os nossos.

- Isto já me está a dar ideias! Podemos a seguir a isso pôr o platobot como contacto de messenger!

- As possibilidades são imensas!

- E eu que pensava que isto era pouco ético.

terça-feira, 15 de novembro de 2005

Mail

Dois meses depois.

Sabes bem que desde o início me fascinaste mas esta relação pseudo-cibernética (que estou eu a escrever?!) efectivamente cibernética, e disso não há dúvidas, não tem muitas pernas para andar, pelo menos assim.

Porventura, para ti, será fácil mas para mim não é. Já experimentei andar com canadianas, com cadeira de rodas mas nenhum desses auxiliares é satisfatório.
Por muitas vezes te sugeri um encontro físico mas estou a ver essa possibilidade a anos-luz de distância.
Quero que saibas que estou apaixonado por ti, que se era isso que querias conseguiste, e se gostas realmente de mim, revela-te; encontra-te comigo e depois logo se vê. O que é certo é que eu não consigo aguentar mais esta curiosidade e impasse estúpidos.

O teu

(ilegível)


To Be continued

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

Mail

“Recebeu uma nova mensagem de €£&$@”.

É indiferente que sejam letras ou números, até podiam ser 1’s e 0’s, on’s e off’s (e não é disto que se trata?), é um email. A curiosidade, em menor ou maior escala, pode protelar a sua consulta mas, mais tarde ou mais cedo, acabará por consultar a caixa de entrada e saber do que se trata. Muito naturalmente, se o assunto for “penis enlargement” ou afins, será movido para o lixo (quer dizer que o filtro não está a funcionar correctamente), senão lê-se, arquiva-se ou apaga-se.

Até pode ser daqueles que ficam na caixa durante uma semana ou duas, aqueles que te FW no assunto, e que depois é visto com todos os outros da mesma categoria.

Não vamos esperar afinal está à espera deste email, daquela newsletter diária de paixão, sedução, que o motiva. Sabe que há uma pessoa sem cara, cheiro, aparência que todos os dias escreve só para ele.

Sem cobranças, ciúmes, compromisso, dirige-lhe todos os dias cerca de meia página de mistério e revelação e ele gosta.

Há meses que troca palavras com esta desconhecida. Correcção: não troca, dá. As suas palavras são dadas, são para ela e só para ela. Tanto quanto lhe é dado a saber é uma desconhecida; também pode ser um desconhecido, mas já nem está preocupado com isso. Escreve como uma mulher, exprime-se como uma mulher, esconde-se como uma mulher e ele não se importa se for um homem: já tem as defesas preparadas.

Para ele é mulher.

Declara-se jogador defensivo neste jogo de teclado e rato e não se preocupa, sabe que está protegido. Aos poucos vai tentando retirar novos elementos da ilustre desconhecida e vai conseguindo,

Apesar de tudo é uma pessoa inteligente e os tempos de viciado no mirc serviram para alguma coisa: deram-lhe calo.

Abre o mail. Como sempre é o seu pequeno-almoço mas tenta não estar a comer quando o abre: há frases que o podem engasgar. Fuma o primeiro cigarro da manhã enquanto lê.

O conteúdo é aquele que esperava e em simultâneo deixa um gosto inacabado na língua, na boca, na pele.

Que raio, que mais posso eu dizer, como dar o passo?

Lê, relê e responde.

To be continued

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

Festival




Cronologicamente pareciam sete ou oito da manhã, mas o efeito do álcool deixa sempre uma anacronia suspeita no relógio biológico dos festivaleiros. Estes dois sorvedouros de cerveja, como todas as noites – madrugadas - carregavam o fardo corporal em esforço para tenda.

Várias vezes tinham caído ao rio, mas esta noite a surpresa, que as havia todas as noites, havia de ser postulada em moldes diferentes. Ao fundo, lá muito ao fundo, na direcção que parecia ser a da tenda, vinham, sons hipnóticos, fruto de Djembé's, panelas, Djiridou’s, e tudo o que permitisse entoar som para a continuação da festa. Os concertos nunca fecham a noite, enquanto houver alma há festa.

Hipnotizados deixaram-se levar e chegam às lonas que serviam de tecto há já três alcoólicos dias. Cá fora, o caos tinha sido espalhado com fuminhos de perlimpimpim. Dois dos colegas, dançavam de boxers ao som da parafernália musical que ecoava no pequeno vale. Com uma máquina digital iam registando imagens para a posteridade.

Não se desafia o caos, junta-se a ele senão quebra-se a corrente e destrói-se o equilíbrio cósmico.

Os dois recém chegados juntam-se à festa e começam a aliviar o corpo das vestimentas empoeiradas. Do nada, duas das vizinhas - eram cerca de doze raparigas de Barcelos, “as porquinhas” dado que eram baixas e gordinhas - juntam-se à festa mantendo o pudor. Perguntam ao grupo:

- Há vinho?!

- Há mas só trocamos, rosnou Pepe.

- Martini, pode ser, voltou ao ataque a vizinha.

- Ah pois, disse Miguel inundado de alegria só provocado pela sua bebida preferida.

Feita a troca, Miguel abre a garganta e bebe de uma só vez o conteúdo da garrafa. Dois segundos bastaram para ter um acesso de loucura e começar a tirar a roupa. Pepe adivinhando-lhe os pensamentos já o tinha feito.

As vizinhas ficaram primeiro de boca aberta, mas logo de seguida pega na mão de Pepe e leva-o até uma das tendas e começa a chamar:

- Ó fulana, olha o que tenho aqui para ti!

A rapariga, ensonada, abre a tenda e dá de caras com o badalo de Pepe. Cara de espanto e de susto. Nestas lides dos festivais, ganhou o epíteto de Capitão Sacos, por ter os sacos maiores que a compra.

Pepe apanhou igual susto ao olhar para a cara da assustada e bate em retirada. Junta-se a Miguel e vão os dois comer uma sandes mista, nus com a mão no bolso, enquanto vão dançando ao som das cores do amanhecer.

Nunca mais viram “as porquinhas” mas elas não se devem esquecer.

Viram foi o filme com todas as peripécias; Zundapp estava a filmar toda a brincadeira.

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

10.29 Am

“Às vezes parece que está na lua mas faz tudo direito, bem demais. Por vezes sinto inveja da capacidade de trabalho dele e ridícula por lhe estar sempre a perguntar se já fez isto e aquilo… sou insegura. Gostava de saber em que pensa; neste momento nem por isso.
Ressona que se farta! Já ouvi muito boa gente a ressonar mas ele é um exagero; pelo menos tem um defeito. Vamos lá a ver se é desta que me ouve.”
Miguel… Miguel, grita enquanto bate à porta pela centésima vez. O ressonar acaba e Miguel abre a porta só de boxers.
- Temos um problema com um carro.
“Coitado, estava a dormir mas isto tem que ser resolvido já e eu não consigo. Um decanter vazio… patife, bebeu-o sozinho! Espera que já vais ver.”
Deita-se na cama ainda quente e espera que se resolva a questão. Miguel pousa o telemóvel e inexpressivo deita-se ao lado dela; passados segundos sente-lhe o corpo quente encostado à pele. Adormece e volta a ressonar.
“Como é possível, será que não me acha atraente? Uma mulher que se deita na cama de um homem está à espera de algo! Ou isso ou então já não percebo nada.”
Passados uns minutos com o rei da selva a roncar, procura reservas de amor-próprio e vai para o seu quarto.

O sexo é uma das necessidades básicas do ser humano. Custou, mas acabamos por reconhecer e na sociedade actual encaramos isso de uma forma cada vez mais natural. O equilíbrio é sempre importante: abre-se uma porta fecha-se outra; a sedução para tornar as coisas mais difíceis e saborosas, quando se alcançam, encriptou-se. Já ninguém sabe como agir, mas resume-se tudo a instintos básicos.
Os animais, como os humanos usam o sexo para um fim específico, a continuação da espécie. Para isso as fêmeas procuram um macho fisicamente forte, mal disposto, com carácter agressivo para que as suas crias possam sobreviver. Não procuram machos fracos e lamechas porque à partida intuem que se os genes (nem sabem o que é isto) forem transmitidos as crias não terão a mínima hipótese de vingar. Em contrapartida, com um macho agressivo…
Daqui vem o ditado “ Quanto mais me bates mais eu gosto de ti”. Homens e mulheres querem é personalidades fortes.
O que acontece com a relação homem/mulher (salvo raras excepções) é que a resposta é automática quando do outro lado se sente indiferença, agressividade, um jogo em que nada é claro. É o isco quase perfeito.
Quando se tenta a aproximação com falinhas mansas o mais certo é que o conquistando(a) perca de imediato o interesse.

Já votaram?!

Eu apoio este blog!!!

Já votaram?! Estou quase a ser ultrapassado pelo Objectos!!!

Carreguem aí na imagem e podem votar quanto mais não seja no adversário. Carreguem na imagem, não dói. Juro. Palavra de Escuteiro que nunca fui (nem gosto muito de escuteiros).

Eu sei que há cerca de 70 pessoas que lêem diariamente aquilo que escrevo, por isso manifestem-se!

É um segundo. Minto, dois. Bem... três. Pronto são dez.

VOTEM!

E leiam o post aí em baixo

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

18.55 Pm

"A persistência da memória" Salvador Dali - 1931
- Um princípe por favor.
A noite foi longa e o melhor para curar uma ressaca é uma cerveja fresquinha.
- Pode ser sagres?
- Ainda bem que disse essa palavra em minúsculas. Se não tem cerveja já podia ter dito.
- Temos Super Bock de garrafa, diz o empregado com o sorriso nº7 (mais um que não gosta de Sagres).
- Traga lá a Super, mas sem copo.
É religioso, para não dizer fanático, na questão das cervejas: ou Super Bock ou então nada.
Com tantos caminhos para escolher e vai sempre pelo campo minado. Já está pronto a roer os braços mas precisa deles para beber e fumar. Apalpa o bolso e certifica-se que tem a chave das algemas.
“Lá vem ela. Respira fundo; conta até dez; não custa nada, já fizeste isto um cento de vezes.”
Tenta dar-lhe um beijo na boca mas Miguel diverge o gesto para dois enquanto dispara:
- Olá.
- Bem disposto?
- So, so.
- Olha, não tenho muito tempo hoje por isso este café – faz o olhar nº 51: Já estás a beber cerveja – vai ser curtinho.
- Calha bem que hoje tenho muito que fazer; tenho que acabar umas cenas para poder ir de férias.
- Ainda bem…
- E por falar em tempo, esqueceste-te disto no meu quarto.
Estende-lhe as algemas cronográficas suíças em versão skin.
- Nem tinha reparado. Sabes, tenho tantos relógios…
“Ai não que não tinhas reparado, pensas que sou burro ou quê?!”
- Costumas ver o Seinfeld?
- Costumo, porquê?
- Por nada.
Na cabeça de Miguel: George Constanza a esquecer um objecto no quarto das “one night standers” para ter desculpa para repetir o encontro.
- Bem vemo-nos por aí.
“Pleonasmo simpático” pensa ela e responde:
- Ok.
- Tenho mesmo que ir.
Miguel levanta-se, paga no balcão e vai à luta.

terça-feira, 8 de novembro de 2005

16.55 Pm



Boceja e esfrega os olhos. A cama pequena para um, óptima para dois (amantes) está a ferver. Ouve o sorriso dela mas a obscuridade impede que a veja.

Enrola-se no edredão e sorve o cheiro aos poucos com medo de o gastar todo de uma vez.

-Dá-me aí as medidas dos clientes.

“Tinhas que interromper logo agora”.

-Qual das listas queres?

-A colorida.

Remexe na mochila e retira quatro folhas amarrotadas e húmidas. O olhar da colega trespassa-lhe o pensamento mas não consegue adivinhar.

- E se fossemos beber umas cervejas depois de acabarmos isto, propõe enquanto retira um cigarro.

- Estou dentro, sabes que estou sempre pronto para cerveja.

Dez minutos depois a conversa já é outra.

Bebia mais rapidamente um Vinho do Porto.

Ok, vou tratar disso.

Miguel calça as sandálias e dirige-se à casa principal. É pena que a lua esteja escondida pelas nuvens senão a descrição arrancava suspiros à respiração.

Vai à cozinha mas o staff não está lá. 1.35, não imaginava que fosse tão tarde.

Vasculha os armários da cozinha sem resultado. Lembra-se que existe uma cozinha de serviço no rés-do-chão. Os corredores estão pejados de fotografias, daguerreótipos, livros antigos abertos numa página ao calhas, réplicas de armas (a nobreza já há muito que vendeu as verdadeiras) nas paredes, móveis e mais móveis e loiças do século XVIII coevas da construção do edifício.

Numa cómoda estão dezenas de pequenas molduras com caras a sépia, réplicas do dono da casa. Pega numa e vira-a ao contrário, “será que alguém vai notar” e no íntimo ri-se.

Na cozinha encontra caixotes carregados até à boca de vinho poeirento. Escolhe um Vintage de 1991, verte o conteúdo para um decanter e agrega-lhe dois cálices.

- Boa noite Miguel, como está?

Apanhado com o nariz no decanter pela filha do dono da casa. Morena, olhos castanhos, dedos finos e uma fama secreta de ninfomaníaca. Este encontro já estivera para acontecer vezes demais, sempre interrompido por alguém.

- Bem, e a menina?

- Agora estou melhor; já tinha sido informada que estavam cá, mas ainda não tinha tido o prazer de me cruzar consigo.

Os olhos faiscavam de convite e Miguel sentia-se estúpido com o decanter e os cálices.

- O prazer é sempre nosso.

- Como sempre um homem desenrascado: Porto e dois cálices… Quem é a sortuda?

- Ainda não sei… Diga-me a menina.

Já não conseguia evitar. Não fazia muito o seu tipo mas algo ali accionava todas as sinapses da sedução. Ficava desorientado com aquela mistura de atracção/indiferença e tinha que resolver isso agora.

- Estou cansado, acho que vou desistir do Vinho do Porto.

- É pena, diz a colega com despeito desenhado nos lábios finos.

- Até amanhã.

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

blogcup

Não sei se reparam no selo na sidebar... Deu-me uma maluqueira e resolvi meter-me num concurso de blogs.
A primeira eliminatória foi passada com sucesso (sem saber ler nem escrever) nem estava cá para fazer publicidade, e até tive direito a uma notícia na página dos organizadores. Passo a citar:
"Entretanto, há jogos em que a soma de votos dois 2, não atingem a votação de alguns Blogs individualmente:

Jogo 9 ( 28 votos) - Jogo 19 (27 votos)

O que passar à fase seguinte, terá de se aplicar muito mais no incentivo ao voto ou terá a vida muito complicada."
Só me posso rir em relação a isto.
Agora vou-me aplicar, e de certeza que vou ficar pelo caminho. Assim criei uma tag que poderão pôr no vosso blog a apoiar o meu (menos o Humor Negro, o Objectos, o Webcedário e o ABCity que também estão a concurso).
A tag é pequenina e discreta e linka directamente para a área de voto do blogcup. Se quiserem votar nos outros não fico triste; farto-me de rir.
A votação para a segunda eliminatória começou no dia 5 de Novembro às 23 horas e acaba dia 12 à mesma hora.

Nâo se esqueçam: Votar é um dever cívico.

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

02.40 Am


"Beer an lamp" Rich Bach

Toca o telemóvel. Miguel pisca no display. Ela põe em silêncio e considera não atender.

“É melhor atender… afinal gosto do cheiro dele.”

"E dos peitorais".
Ainda hesita e pensa: "Será que estou pronta para isto?!"

Atende e geme-lhe ao ouvido o desejo de estar com ele. Com experiência na voz desculpa-se (nas entrelinhas) da hora das sms. Não é de hoje nem de um passado recente, é a continuação do que deveria acontecer.

A relação sempre foi frugal, demais para o seu gosto. Estivera alheada dele muitas vezes. Era uma relação estranha: conheciam-se há muito tempo mas nunca nada se concretizara. A provocação foi sempre uma constante: olhares profundos a meio milímetro de distância, lábios quase a tocar-se, as auras a tocar-se (o calor das bocas não dirigido aos ouvidos mas à outra boca, como se a comunicação não necessitasse de mais nada, só de contacto).

Uma noite em que estavam juntos nestes jogos algo aconteceu: ele consegue exprimir por palavras o que lhe corria nas veias como um rio de lava. Ardia de desejo físico e intelectual e resolvera fazê-lo naquele momento em que todas as suas baterias anímicas se encontravam no máximo da carga.

Miguel pensava com o seu ziper: “Hoje consigo tudo o que quiser. Dois crofts no bucho e não há quem me pare!”

No ambiente de fumo ela estava indescritível mas os olhos azuis diziam:

- Presente.

Miguel intrometeu-se entre ela e a cerveja. Cuspiu palavras secas e confessou que tinha companhia. Como se nada fosse, a mão dela deslizou para o rabo dele e sentiu a firmeza de muitos quilómetros percorridos.

- Sabes que sempre foste a minha mulher fetiche?! Que pergunta estúpida! Claro que sabes, é impossível disfarçar, muito embora eu ande a tentar deixar de ser m livro aberto que se lê de trás para a frente e depois se rasgam as páginas.

- Qual é a relação disso com a minha mão?!

- Nenhuma, apeteceu-me.

Com a mão a tremer, Miguel segura no telefone e propõe uma garrafa de vinho e uma "pasta".

15.25. Pm


"Destino" Pantyuk-Zhukovsky Alexey - 1995

Não é fácil afastar a atenção daquilo. Vai consumindo os recursos intelectuais necessários para as tarefas profissionais.

À dentada vai rasgando os sacos coloridos e, no íntimo, só pensa nas marcas de dentes que deixou (com um pedido de desculpas) na pele dela.

Algum tempo se passara desde o episódio apimentado por provocações mútuas e continuava a guardar o agridoce daquele momento na carteira. Abriu-a e tirou o bilhete da CP. O destino não interessa, muito menos a hora, só o sofá de couro, os livros.

Fecha os olhos e sente o tabaco a secar-lhe a boca. O contacto da pele liberta e contagia; a meia-luz que entra pelas frinchas do estore desenha pontos de luz animados na pele. Os seus olhos salgados de prazer e emoções percorrem as curvas daquela que pacientemente deseja há muito tempo.

Sorri derretido de emoções confusas, escondidas, acutilantes e diz-lhe ao ouvido:

- Valeu a pena esperar tanto tempo. Gostava de ser lamechas e piroso mas não é o momento; ainda te assusto como costumo fazer.

- Shiu, usa os lábios em silêncio.

Beija-a e sorri. Palavras para quê? Amanhã, depois do pequeno-almoço, com um pouco de sorte, depois do almoço, não a verá durante algum tempo; mais vale aproveitar.

Descansa a cabeça no peito dela e deixa que as mãos lhe percorram o corpo sem malícia numa mescla única de sinceridade/prazer pós coito. Assim vale a pena, pensa. Não se vai sentir vazio…

- Já está pronto?

- É claro que sim, agora só nos resta esperar.

Senta-se numa pedra e puxa de um cigarro, o último.

- Que merda, só posso comprar tabaco daqui a três horas.

Começa a chover e a primeira pinga acerta-lhe na ponta em brasa.

11.25 Am


"O mito de Sísifo" Ticiano

Muita carga nas costas; trinta quilos e o guia a dizer:

- Miguel, quando quiseres trocar avisa.

A caminhada não é fácil mas isso já sabia; pedras escorregadias como algumas pessoas que conhece; joelhos há muito estragados por saltos acrobáticos estalam como madeira seca; a mochila carregada… sente-se Sísifo a carregar o penedo pela montanha acima.

“Não vou dar parte de fraco, afinal ainda sou novo e isto é uma questão de princípios e tempo até lá chegar.”

O guia ultrapassa-o como uma gazela, aos saltos, destruindo a imagem dos seus quarenta e cinco anos. Homem da montanha, seco e rijo, só fibra mesmo no carácter. É saudável ser e estar assim.

Volta a pensar nela. Mais vale não o fazer, afinal só vai poder encontrá-la dali a muito tempo, quando voltar a ter rede no telemóvel, e aqui é impossível.

Finalmente o topo. Pousa a mochila e senta-se durante algum tempo a recuperar o fôlego. Não consegue ver a paisagem embora a conheça de tantas vezes que a contemplou. Um edredão de nevoeiro frio espeta-se-lhe no reumatismo e impede a visão.

Com a ajuda do guia começa a arrumar o sítio da reunião, a espalhar o conteúdo da mochila. O telemóvel dá sinal de vida. Sorri ao ver a sms.

“Isto é tortura!”


1.10 Am


"Squeaky Bed" 1999

Revira-se na cama: os lençóis já foram mudados, e sem saber se é impressão ou desejo, o cheiro dele continua ali entre as fibras.

Associar um cheiro a uma pessoa é comum; com o advento dos perfumes ainda mais. É bom poder fazê-lo mas mais ainda é ter a sorte de reconhecer o cheiro único de uma pessoa; depois de um bom banho sem gel de banho, champô, cremes, perfumes, a neutralidade do cheiro do outro revela-nos a essência, aquela que Jean-Baptiste Grenouille, de Süskind, procura n’ O Perfume.
Todos temos essa essência irresistível sendo reconhecida por poucas pessoas e isso é mágico.

Vai na rua e sente-lhe o odor vira-se e não está lá. Entra no carro e volta a sentir: em casa pior ainda: ele esteve em contacto com muitos objectos. Onde estará? Será tarde para ligar?

“Que se lixe, mando uma mensagem, se responder respondeu, que perco com isso?

Liga o leitor de Cd com Lounge e inspira-se; resume o testamento para uma linha. Envia, hesitante. Carrega no Ok.

“Já está.”


quinta-feira, 3 de novembro de 2005

10.30 AM


"O Jardim das delícias" Hieronymous Bosch - 1504

O vento agita, convulsiona o exterior e o interior. Assobia melodias atormentadas pelas frinchas do telhado e da Alma. Silêncio, é tudo o que pede, para pensar para dormir. Algo mudara; tudo o que desejara até ao momento: um pouco de atenção. Percorria os trilhos da montanha, em silêncio melancólico, enquanto que a chuva agreste e a ventania ciclónica espelhavam o que no fundo se passava na sua mente.

A vida transformara-se num jardim de tentações e não sabia como resistir. Todos os dias se deparava com mulheres diabo que faziam os possíveis para lhe estender as redes da sedução. No entanto a sua sinceridade provocava o afastamento imediato, ou quase.

Foi para a cama com uma (já há muito tempo que ela o perseguia com o olhar, com os gestos) e sentiu-se espoliado (seria da máscara de couro que ela vestia); bonita a e bem feita, mas depois mais nada, desilusão.
Acordou e ficou satisfeito por ela já não partilhar os cobertores. A ressaca batia-lhe na cabeça e na porta também.
“Quem é que me acorda a estas horas pornográficas num domingo?!”
Veste os boxers e abre a porta.

- Temos um problema com um carro.
Trabalha até ao Domingo. Porca miséria, italianiza.

Pega no telefone e resolve o problema. Olha para a cama e lá está a colega de trabalho com olhos de mel e nozes em forma de convite. Desolado (secretamente satisfeito) olha para ela e deita-se a seu lado. Falam de trabalho e, aos poucos, ela começa a encostar-se. Mais uma que lhe quer saltar à espinha. Sorri e adormece.

- Ressonas muito, diz-lhe a colega ao pequeno-almoço.
Não desejando mais conversa replica:
- Pois.

Nos olhos leu-lhe a desilusão e o desejo. Sentiu que ela não se importaria de partilhar o suor e o ressonar mas não estava para aí virado; desejava uma e não era aquela, muito menos o sucedâneo que lhe manchara os lençóis horas antes.

Algo mudara.

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

1.35 AM

- Acorda Miguel, são seis e meia.
- Hummmm, gnharrrlll.
- Acorda, tens que trabalhar.

Os lençóis ainda estão húmidos e não teve descanso suficiente; nestas condições nunca é suficiente, nada é suficiente.

- Que é que se passa?!
- Tens que te levantar! Os clientes têm que ser acordados!
- Eu quero é que eles se fodam! Que vão para o caralho!
- Não sejas resmungão.

Há pessoas que deviam ser presas por acordar alguém a esta hora criminosa, é homicida tirar alguém da cama a horas tão indecentes.
Ensonado, friorento arrasta a carcaça para fora da cama. Tudo podia correr melhor mas não havia nada a indicar tal. O vento soprava com muita energia, a que lhe faltava; a chuva lavava as paredes da habitação sazonal e o seu corpo ansiava por alguma água que havia de aparecer. Chuveiro a correr e quinze minutos depois de óculos de sol a tapar as olheiras de três dias de mau sono (com muitos sonhos e interrupções) desloca-se à habitação principal.

- Bom dia, exclama o sorriso do cozinheiro.
- Só se for para ti.

Resmunga o que o corpo lhe faz sentir: má disposição, mau humor, cansaço… Senta-se e volta à noite anterior.

- Olá! Estás a dormir?!
- Agora não.
- Acordei-te?!
- Claro que sim!
- Leste as minhas mensagens?
- Claro que não!
- Então lê.

Desliga o telefone e fica confuso. Por momentos pensou estar a sonhar. Aquele episódio onírico é estranho e o despertar ainda mais. Aquele nome a piscar no telemóvel parecia saído de uma dimensão paralela.

Desejara todos os dias que aquilo acontecesse e agora que se tornara realidade (seria?), temia que tivesse sido demasiado frio e seco. Ela era especial e não merecia a sua má disposição ou o granito que lhe saltava da boca quando acordava a meio da noite. Não respondeu. Leu as mensagens e tentou dormir sem sucesso.
A insónia turbilhonou-lhe os pensamentos e deu-lhe um descanso às prestações. Sonhou com ela e agora era real; ela a linha de crédito que o fazia continuar.

- Hã?!
- Café ou chã?!
- Café, preto como o inferno e amargo como a minha alma.

Toca o telemóvel. Miguel pisca no display. Ela põe em silêncio e considera não atender.
“É melhor atender… afinal gosto do cheiro dele.”

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

Uma revolução intestina estalou neste blog o que faz com que o autor seja exilado durante uma semana na Serra da Peneda.

The Author as been removed by the blog

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

Título (ponha aqui o que resume este texto)

Rapariga gira como o raio sozinha.

Rapaz com olhar nº7 (se te apanho conto-te uma história).
Aborda-a.
- Será que é hoje que vou manter uma conversa contigo por mais de trinta segundos?
Ela sorri.
- Tenho medo de falar contigo mais de trinta segundos; ainda me transformo num monte de cinza.
Ela sorri.
- Não tenho sorte nenhuma; uma mulher bonita aqui sozinha e é muda.
Ela ri à gargalhada.
Faz-me perguntas - diz ela.
- Qual é a idade da terra? pergunta ele.
Ela fica aturdida e ri-se.
-Tens namorado?
- Sim.

Pensa "Foda-se para esta merda, não tenho sorte nenhuma!" e diz:

Agora é a vossa vez. Mandem a punchline.

Monólogo a três

Riddle: Isto não se faz, pôr a nossa conversa como post! Não fico chateada mas um pouco envergonhada.BeijosP.S. Estou a ver que estás a ter sucesso com os anónimos...
Terceleiros: Foi só um exemplo como outro qualquer... Desculpa ter provocado rubor mas é um dos riscos do anonimato, exposição. Isto ajuda a consolidar a teoria do anonimato. Beijo
P.S. O sucesso com os anónimos é-me indiferente mas agradável (um pouco). Continuo a preferir pessoas reais.
Riddle: É agradável contribuir para a tua teoria do anonimato, se bem que acho que devias continuar com os teus contos. Acho que é por aí que tens que ir e não perder tempo com estas miudezas. Acho que me vou inibir de fazer mais elogios, não vá estar a tua namorada/mulher a ver isto. Beijo
Terceleiros: Se já me fizeste algum elogio, não reparei (a não ser este subliminar de que tenho talento para os contos). A minha aliança já me está a fazer comichão!
Riddle: Desculpa.
Terceleiros: O que é que tenho de desculpar?!
Riddle: Não sabia que eras casado, por isso peço desculpa.
Terceleiros: Tenho alergia a alianças (metálicas)!
Riddle: Achas que as pessoas precisam de uma aliança para Criar um compromisso?
Terceleiros: Criar um compromisso?! A criação (Gore Vidal) bom livro. O compromisso é entendido de formas diferentes por cada pessoa; é um conceito um pouco abstrato. O que é um compromisso para ti?! Talvez assim te saiba responder.
Riddle 2: O compromisso é aquilo que tu quiseres.
Riddle: Alguém está assinar com o meu nome. Em relação a Vidal só li o Juliano mas fica registado. O compromisso... é difícil... uma conversa para se ter olhos nos olhos.
Terceleiros (Resposta a Riddle 2): Ora explica lá isso...
Terceleiros: Ui... Dupla personalidade! Riddle nº2: Esse nome já está tomado. Tire outra ficha por favor. Riddle: Juliano é bom mas vais gostar d' A Criação. Isso dos olhos nos olhos é complicado sabias. Não te conheço de lado nenhum e blind dates... hum, cheira-me a perigo. Sei lá se és uma Cereal Killer, é que sabes eu sou 90% cevada.
Riddle 2: Não sei o que essa pessoa está dizer. Eu é que sou a riddle, não vou tirar ticket.
Apóstata (aka riddle): Não me deixa outro remédio... Assino assim, acho que vais perceber. 331-336 d.C. Não sou do género de blind dates a não ser que seja mesmo necessário. Cevada fermentada?
Terceleiros: Riddle do ticket: Não perturbe as pessoas. Pode-se chamar Loki se desejar.
Riddle 2: Apóstata por mim podes ir buscar referências de livros aqui
Wikipedia(aka Riddle): Pois posso. Mas isto não posso. Elêusis.
Terceleiros: Bem... Porrada verbal no meu blog não. Já chega de confusão.
Wikipedia: se quiseres manda mail para não haver mais confusão (encriptado é claro). beijo
Elêusis(aka Riddle): estou pensar mandar um mail com um post secret ;)!
Esta conversa passou-se neste post, na minha caixa de comentários e é um caso grave de tripla personalidade. Desdobrei-me em três personagens. A mais fácil é o Terceleiros; Riddle é um bocadinho complicado (pensar como uma mulher não é fácil); Riddle 2 é bem mais difícil, é criada para semear a confusão na cabeça de Riddle e na de Terceleiros.
Riddle, a certa altura, tem que mudar o pseudônimo e vai buscar palavras que estão ligadas à única leitura que para já tem em comum com Terceleiros.
Um exercicio de abstracção ou de loucura...
Digam-me vocês.

P.s. leiam Juliano e A Criação

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Lama Gémea

Felo
"Moonlight Reflection" Linda Merk-Gould
Aos poucos deixou-se levar. Não sabia muito bem qual o caminho a seguir; o mapa mental desdobrou-se dimensionalmente e ele ficou sem referência. Sempre a tivera acoplada às certezas, mas neste momento não. Perdera-as como a chave de casa e não podia fazer uma cópia.
Aos poucos deixou-se levar. O sentimento conduzia-lhe o coração; derretia a calote de frieza que lhe toldara a emoção nos últimos tempos. Lia nas árvores algo indefinido que recordava algo que tinha desaprendido, com tantas barreiras que criara, e aos poucos começava a acreditar que seria possível.
Do outro lado do nevoeiro alguém pensava como ele. Chorava lágrimas doces como absinto e embriagava-se com elas. Consolava-se secretamente e secava-se com os cabelos: a única coisa que lhe cobria o corpo.

A lama gémea, dos dois lados do fosso, cercava os corpos que, aos poucos, sentiam a necessidade de se encontrar. Impelia-os mas não era daquela forma que se iam unir.

Ele adquiriu novos hábitos: lambia as feridas do passado e via que estavam a cicatrizar. Acreditava que dentro em pouco as suas pernas estariam prontas para andar. Arrastava-se à procura de comida para a alma que estava perto, tão perto.

Ela corria mas não via. Tacteava a absorver a luz que o corpo necessitava.
Um dia viu.

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Do Anonimato

Bene bene...
Estou a ver que o post anterior produziu reacções e afinal não foi surpresa nenhuma para mim. O anonimato cria uma aura de mistério que atrai toda a gente. É irresistível tentar saber o que está por trás de um nome, e todos já passamos por isso, ou quase todos...
Os encontros de Bloggers não são mais do que dar a cara às letras e imagens que vemos todos os dias. É um Blind date, sem que saibamos o que dali vai sair. É giro imaginar quem são as pessoas: será aquele que está a ler; aquela com o portátil; aquele senhor que fuma cachimbo e observa toda a gente?!
Nem o género é certo; no profile pode lá estar male/female, mas nada é garantido. Podemos pôr uma foto mas até isso pode ser falso. Até as pessoas se conhecerem realmente, em carne e osso nada é certo, aliás nem isto é certo.
Qual é a diferença entre um comentador anónimo e um que está registado? Nenhuma. É exactamente a mesma coisa, nada é garantido.
Todos temos capas: no trabalho temos uma; na nossa família é suposto não termos; para um amigo mostramos um lado e para outros se calhar mostramos tudo... Ninguém nos conhece completamente, nem nós próprios e não será isso uma capa também, uma espécie de anonimato?!
Por isso é que tem piada responder a comentários anónimos; destrinçar a outra pessoa estimula a inteligência, é um jogo de forças. Se assina anónimo é por que tem algo a esconder e essa é a razão para provocar e tentar saber quem é.
Os comentários fazem-me pensar que ainda não perdi a capacidade de provocar.
Mais uma transcrição.
Anónimo(a)
Não te conhecia esta faceta de resmungão.No entanto agradas-me jovem. É sempre bom saber que as pessoas se revelam em estados de pressão e que também és humano. Será que também és sensível???Beijo
Terceleiros
Anónima: Presumo que sejas uma mulher...
Sou o que sou ou gostam de mim assim ou então...
Sensível... Convido-te a descobrir. Não mando beijos porque a minha mãe sempre me disse para não beijar desconhecidas.
Isto começa a ser demais (já estou farto de rir).Agora isto é um repositório de anónimos?!Venham todos ao Tercelerios, Reunião dos CA (comentadores Anónimos!)
Bem Senhores anónimos ou anónimas: Assinem por favor!
Anónima
Miguel ou deverei dizer Ricardo?! A época das descobertas já passou mas até arriscava. Sou viciada em adrenalina! É bom ver que tens carácter mas até gostava de saber se é mesmo assim - é tão fácil encapar-nos na internet... Beijo
Riddle
Terceleiros
Riddle: Obrigado por se identificar. É fácil saber que eu sou Ricardo, é só ler o último Post. Cuidado que tenho alma de Vasco da Gama! A adrenalina é boa quando em doses regradas e se é assim eu faço parte da mesma equipa e acho que nisso já tenho mestrado! Talvez possamos trocar experiências... acerca das capas: acho que temos sempre algo a esconder. É o nosso Post Secret.
E este acabou por aqui... ou será que não?!