Estás bloqueado por pensamentos que querem sair mas nunca se atrevem apor as antenas fora da carapaça, pelo menos para a realidade exterior. A tua concha é demasiado frágil, e sabes que basta uma pequena acção para que todo o caos interior que gira contido seja colocado na luz do dia, e destrua toda a paz aparente que sentes já há muito tempo.
Passeias na praia e chutas a areia sem intenção. Sem querer perturbas o microcosmos envolvente e tudo se vira contra ti. O vento envolve o teu corpo e entra dentro da tua mente deixando-te à beira do colapso espiritual. Um guarda-sol atropela-te e recomenda-te com cores que vejas o lado bom da vida. Para catastrofista já basta a tua mão direita, que o que toca transforma em carvão. É o toque do ferreiro só é pena que não sejas ferreiro, ser-te-ia muito útil.
A noite cai, evoluis para o estado A fotofobia deixa de te incomodar. És animal da noite e consegues exprimir o que te preocupa de forma natural. Depuras a visão e vês que o teu desejo se torna realidade. O encontro com o maior desejo transforma-se no maior medo, mas não há que o ter, enfrentá-lo é talvez a melhor forma de o ultrapassar, por muitas feridas difíceis de fechar que resultem do confronto.
Pensas e deixas de pensar, o teu cérebro trabalha só com sins e nãos , os dois levam-te à atitude.
Tudo nela te agrada. A paleta cromática, as dimensões, a forma como as formas se mostram, o som que produz na nota certa, a raiz de tudo. Deixa-te ansioso.
A adrenalina pesa no sentido frontal e avanças. Tocas nas suas formas e o com o teu olhar, fixo, reconheces que tudo se encaixa. É o saber antigo transmitido pelos genes que formata a tua consciência e sabes a profundidade da experiência sem nunca ter passado por ela. Sem preconceitos encostas um dedo e a sensação é única, encontraste a tua paz. Abres o coração e ficas descansado a ver as estrelas por entre os ramos dessa árvore que procuravas.


















